<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010</id><updated>2011-07-15T22:25:44.431+01:00</updated><title type='text'>Fechar a porta/Voltar a fumar</title><subtitle type='html'>Que me querias ontem às três da manhã?</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-4944690153004741459</id><published>2008-07-21T22:52:00.006+01:00</published><updated>2008-07-22T10:38:46.108+01:00</updated><title type='text'>As caixas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A minha amiga andava em mudanças. Ela anda em mudanças desde que a conheci, de certa maneira. Convidou-me para ir ver a casa nova e eu, como é hábito, cheguei mais cedo. Comprara um ninho de dois pequenos andares, encavalitado na copa dum prédio entre Santos-o-Velho e a Lapa, entre a boémia e a fineza - sim, lembro-me de ter pensado, entre todos os recantos da cidade, só este poderia ela habitar - e, quando lá cheguei, ela valsava com um cartaz vintage emoldurado por entre fichas triplas, sofás plastificados, dois brasileiros da tv cabo, malas de viagem e produtos de limpeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava macambúzio por razões que moravam para lá daquelas paredes e alegrou-me imensamente, não sei ao certo porquê, quando ela me confiou o seu par na dança, mo pediu que o pendurasse e me prometeu mais na volta. Estava a ser explorado e adorava sê-lo. Depois, peguei num pano do pó e subi as escadinhas de caracol. No cimo da espiral, o quarto dela ocupava o sótão do prédio. O clarão poeirento vindo da janela envolveu-lhe o corpo e fê-la brilhar como as santas das gravuras góticas, as pontas dos cabelos ruivos transformaram-se em fios de cobre descarnados, espalhando uma energia invisível por todo aquele que ousasse aproximar-se. Gostei daquele brilho. Fez-me lembrar outras eras, quando toda a multidão pensava o mesmo, fazia o mesmo, sentia o mesmo e eu olhava em redor em busca dum rosto diferente e aí estava ela, também a olhar-me, procurando o mesmo. Formava-se então uma clareira invisível, mas sensivelmente do tamanho daquele sótão, e nós no meio, a observar a carneirada, não nos sentindo nem superiores nem inferiores, simplesmente a gozar o prato e a gozar o facto de termos o que é preciso para gozar o prato e de termos companhia nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajudei-a a limpar o pó às madeiras e a aspirar o colchão e, quando terminei, ela abriu um armário e tirou de lá um monte de caixas de cartão, que me pediu para arrumar nas prateleiras nuas da parede junto à boca das escadinhas. As caixas estavam marcadas com nomes: André, Gustavo, António, Nuno, e eram tantas que, cada vez que eu levava uma pilha para arrumar e voltava, mais iguais a essas me aguardavam, no chão, formando um pequeno muro.&lt;br /&gt;- O que são? - perguntei.&lt;br /&gt;- Cada uma é de um &lt;em&gt;ex&lt;/em&gt; diferente. Podes ver, se quiseres.&lt;br /&gt;- Acho que não devia...&lt;br /&gt;- Estás à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri uma para espreitar: cartas, poemas de amor foleiros e arrebatados, rosas secas, fotografias. Abri outra e outra e outra, cada homem diferente dos demais, todos eles iguais, troféus da mais sangrenta das guerras, mas que não vem nem nunca virá nos livros de história. Suspeitariam eles que aqueles pedaços de matéria orgânica que os fizeram passar noites em claro poderiam vir a ter o seu descanso eterno encaixotados num jazigo colectivo? Quanto de cada um de nós definhará em caixas empilhadas por essa terra fora? E ela não é nenhuma caçadora de cabeças. Essas não fazem prisioneiros. Apenas uma mulher normal, nem uma santa, nem uma puta. Uma mulher com caixas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Coisa estranha, o amor: num momento, é grande demais para o mundo, noutro cabe numa caixa de sapatos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Os leitores amigos que me perdoem este inqualificável momento de pieguice e considerem-no como fruto de um estado incapacitante transitório. Retomaremos a programação normal dentro de momentos, com toda a sordidez e crueza a que vos habituei e a que têm direito. Prometo. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-4944690153004741459?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/4944690153004741459/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=4944690153004741459&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/4944690153004741459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/4944690153004741459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2008/07/as-caixas.html' title='As caixas'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-7594958002482698401</id><published>2008-07-14T23:11:00.004+01:00</published><updated>2008-07-18T01:40:09.181+01:00</updated><title type='text'>Pérolas a Porcos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;À Andreia e ao Daniel (o nome da personagem não tem nada a ver, amigo). &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Di e Sofias: se não souberem donde fui buscar esta ideia, lembrem-se daquela tarde no Castelo...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo na mesma cumá lesma. São oito e meia da manhã, o dia ainda mal rompeu, mas o Daniel já está cá fora, na exploração (chamar quinta àquilo é uma ofensa às quintas a sério), de galochas e gabardina de plástico amarela florescente, atolado em merda até aos joelhos (o esterco infiltrando-se pelo cano das botas, acumulando-se junto aos calcanhares: no final do dia, quando se descalça, os peúgos aguentam-se de pé sozinhos), pensando andei eu a estudar quatro anos para isto. Entrou no grande armazém das bestas (chamar àquilo estábulo seria uma ofensa aos estábulos a sério). Assim que passou da porta, a pestilência dos porcos trepou-lhe pelas narinas. Ainda só tinha comido uma torrada e bebido café e estava de ressaca da noite anterior. Debruçou-se sobre uma das vedações e gregoriou o recheio das entranhas para o meio do estrume. Um dos porcos aproximou-se e pôs-se a abocanhar-lhe o pequeno-almoço liquefeito, focinhando de borco com a ventosa peluda. «Isto vai ser um dia bem longo!», pensou, ao bochechar com água da mangueira para enxaguar da boca aquele gosto acre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois, pousou no chão do lado de fora a mochila e as vasilhas, calçou umas luvas de borracha das obras, que fez estalar com um beliscão, como os cirurgiões da tv fazem às luvinhas de látex, e avançou sobre o primeiro freguês do dia.&lt;br /&gt;— Fica quieto, meu cabrão sortudo, não faças a cena mais degradante do que já é.&lt;br /&gt;Chegou-se ao porco, agarrou-lhe o membro com a ponta dos dedos de borracha. Tinha a cara amarelecida de nojo e pensava em futebol para não vomitar de novo, os melhores lances da jornada sobre a lusalite do telhado para onde fugiu com os olhos. E começou a agitar, para cima e para baixo, para cima para baixo, cima baixo, freneticamente, olhando para longe, pensando Benfas, rabo da Mónica, aquela esquerda épica da Cova do Vapor, no fim-de-semana passado. Era oficial: aquele era o pior emprego do mundo. Tinha amigos a bulir em sítios bem maus, mas aquilo batia tudo: masturbador de porcos. É claro que não era essa a sua única tarefa na exploração de suínos da A.M. Casais Militão &amp;amp; Filhos, mas uma vez por semana já sabia que lá tinha de ir de vasilhas às costas esgalhar a pívia semanal aos porcos sementais do curral, para depois inseminar artificialmente as porcas, que estavam presas noutro pré-fabricado, do outro lado do baldio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— Por que raio não deixam os porcos e as porcas à solta juntos e eles que se entendam? Viviam mais felizes eles e eu! Cabrão do velho!&lt;br /&gt;Mal ele tinha acabado de desabafar com o porco, que parecia agora ter ganho um sorriso estúpido à medida que o membro bestial se lhe intumescia e já roçava o estrume, quando o velho Militão, o patriarca da empresa, entrou no armazém.&lt;br /&gt;— CANOAAAA!!! Estás aí?&lt;br /&gt;«Sim, mas estou com as mãos ocupadas», apeteceu-lhe responder.&lt;br /&gt;O velho era gordo e imenso, parecido com os bichos de que sacava o ganha-pão. Pequeno e redondo, não se lhe via o cinto ao coberto da pança. A cabeça era redonda, calva e muito branca, os olhos e a boca eram pequenos, demasiado pequenos, como três frestas abertas à pressa pelo Criador tentando remediar as coisas quando se apercebeu que o modelo vinha com defeito. O patrão foi-se plantar ao pé dele, mãos na cintura, a abanar a cabeça.&lt;br /&gt;— O que se passa? — perguntou o Dani, de cócoras com o membro do bicho na mão.&lt;br /&gt;— Mas tu queres matar o pobre animal? É assim que tu fazes a ti próprio?&lt;br /&gt;— É um porco, senhor Militão, não me parece que…&lt;br /&gt;— Não me venhas cá com teorias! Ainda tu não eras nascido já eu criava porcos! Não vos ensinam nada de jeito na universidade?&lt;br /&gt;Fica o apelo ao conselho científico do Instituto Superior de Agronomia: incluir no plano de estudos a cadeira prática de Técnicas de Masturbação de Gado Suíno.&lt;br /&gt;— Para ti pode ser uma besta, mas o porco é um animal sensível! Aprende com quem sabe, há cinquenta anos que vivo no meio dos porcos!&lt;br /&gt;«O melhor é não entrarmos por aí…», pensou ele.&lt;br /&gt;— Como quer então que faça, senhor Militão? — perguntou ele, mas o que lhe deu mesmo vontade de responder foi «se está à espera que lhe sopre no ouvido e lhe diga que o amo, bata-lhe a pívia você».&lt;br /&gt;— Tens de sentir o porco, Canoa, sentir o porco! Para já, tira-me essa merda dessas luvas! Como é que queres ter sensibilidade nas mãos com essa borracha toda?&lt;br /&gt;— Senhor Militão!&lt;br /&gt;— Estou à espera!&lt;br /&gt;«Muito custa ganhar a vida!», pensou ele, enquanto se desembaraçava das luvas.&lt;br /&gt;— Vês como a coisa marcha logo doutro jeito? Suavidade, Canoa, suavidaaade!&lt;br /&gt;Assim que o velho deixou o armazém, ele tornou a calçar as luvas, agarrou no animal pela picha, insensível à guincharia, e desatou numa ordenha tão violenta que, passados poucos segundos, o porco já esguichava o seu líquido fétido e amarelento. Então o Daniel levantou-se, tirou as luvas e acendeu um cigarro. O orgasmo dum porco dura qualquer coisa como vinte minutos. As primeiras esguichadelas nem vale a pena colher, estão pejadas de impurezas, e a parte do fim também não interessa pois praticamente não tem semente. Era fazer o servicinho medonho e deixá-lo esguichar tipo torneira durante uns cinco minutos: só do sémen do meio é que se faz a colheita para inseminação. O Daniel suspirou, vendo o porco estrebuchar de prazer. Tinha o focinho regalado, feliz, quase sorridente.&lt;br /&gt;«Ri-te, ri-te, meu cabrão! Vamos ver quem ri quando fores uma barra de fiambre! Para ti não há esperança nem salvação. Olha bem para ti, nem consegues virar os olhos para o céu!». Depois, olhou em volta, para as dezenas de porcos que faltavam para o dia estar feito e sentiu vontade de morrer ali mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A exploração ficava para os lados de Palmela, um aglomerado de armazéns de cimento e chapa ondulada donde se ouvia o rugido dos carros a passar na A2. Tudo o que de bucólico pudesse haver naquela quinta havia sido exterminado no dia em que daquele chão ameno e soalheiro das terras do moscatel brotou mais uma máquina de terror agro-industrial. Além dos porcos, havia também um aviário de frangos. O que valia era aquilo ficar a vinte minutos de casa: nunca apanhava trânsito de manhã pois rolava sempre ao contrário do resto do mundo. Era o que tinha de bom aquele emprego, a única oferta que lhe apareceu quando terminou o curso de engenharia agronómica no ISA. A ganhar 800 euros por mês, sem subsídio de férias nem de Natal, a recibos verdes, naturalmente, e aturar o Militão mais as carências afectivas dos seus porcos cinco dias por semana das oito às cinco, quase que mais valia estar em casa sem fazer nenhum, mas enfim. A ideia original era ficar ali uns tempos a ganhar o dele até abrirem concurso para uma bolsa de investigação científica para ir trabalhar nos laboratórios de certo Instituto. Já lá iam seis meses. O concurso lá abriu, mas, para surpresa dele, não passou duma formalidade como qualquer outra: a bolsa já tinha dono muito antes de ser atribuída.&lt;br /&gt;O regulamento tinha a assinatura oculta do Senhor Cunha, essa eminência parda sem cujo beneplácito ninguém na Tuga sai da cepa torta. No artigo 4.º lia-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Destinatários&lt;br /&gt;Podem candidatar-se à presente Bolsa os candidatos, cidadãos nacionais ou estrangeiros, que reúnam os seguintes requisitos:&lt;br /&gt;a) Licenciatura na área da Engenharia Agronómica, Biologia Celular e Molecular, Bioquímica, Biologia, Química Aplicada, ou afins;&lt;br /&gt;b) Fluência nas línguas inglesa e neerlandesa, falada e escrita&lt;br /&gt;c) Gosto por desportos e actividades ao ar livre, especialmente no meio aquático;&lt;br /&gt;d) Habilitação para o exercício da actividade de instrutor de vela.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente ou não, o único sócio a concorrer que preenchia todos os requisitos era o sobrinho recém-licenciado da directora do laboratório, que havia passado um ano em Erasmus na Holanda e até tinha a tal licença de instrutor de vela, absolutamente essencial para desenvolver projecto em laboratório na área da biotecnologia em qualquer parte do mundo! Em Portugal, pelo menos, assim é.&lt;br /&gt;Não faltava quem dissesse que o ideal é um gajo pirar-se para o estrangeiro quanto antes e tínhamos amigos que foram por essa via, mas o Daniel não via as coisas desse modo. Se Portugal é um país rico, por que raio não temos o direito de ganhar o nosso pão na nossa terra com dignidade? Além disso, no estrangeiro, mesmo na União Europeia, eles protegem a prata da casa, é natural que assim seja. Nós aqui nem para nós próprios somos bons.&lt;br /&gt;— CANOAAA! — soou novamente a voz áspera do velho Militão — Em quantos já vais?&lt;br /&gt;A resposta do nosso Dani não lhe agradou e começou a desancá-lo forte e feio.&lt;br /&gt;— Senhor Militão, o senhor disse-me para ir com calma, com suavidaaaade, isso leva mais tempo!&lt;br /&gt;— E ainda respondes! Eu disse para fazeres isso com suavidade, mas também não é preciso levá-los a jantar e ao cinema!&lt;br /&gt;O velho virou as costas e foi-se embora. O Dani, de cócoras, enterrado em esterco e com o membro do porco a palpitar na mão teve então um instante de iluminação triste, viu com total clareza ao que chegara a sua degradação. Se fosse homem de chorar, teria chorado.&lt;br /&gt;«Diga-me você que tipo de filmes é que eles gostam, afinal é você quem vive no meio deles há cinquenta anos!», era o que lhe devia ter dito, pensava o Dani, o sacana ia ver!&lt;br /&gt;No final do dia, exausto e a tresandar a suor e a estrume, pôs o motor do carro a trabalhar. Havia uma barraca com chuveiro onde se podia lavar, mas tinha sempre fila e ele preferia empestar o carro com aquele fedor a passar um minuto mais do seu dia ali metido. No caminho para a estrada, passou por um antigo curral, que já estava praticamente desactivado pois o velho havia entretanto mandado fazer um maior e melhor na outra ponta da exploração. Lá dentro, com as primeiras chuvas do Outono, haviam brotado do esterco inculto vários tufos de azedas, cobrindo o chão com as suas florzinhas amarelas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-7594958002482698401?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/7594958002482698401/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=7594958002482698401&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/7594958002482698401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/7594958002482698401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2008/07/prolas-porcos.html' title='Pérolas a Porcos'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-8160863761484648448</id><published>2008-07-12T15:25:00.007+01:00</published><updated>2008-07-13T12:55:12.526+01:00</updated><title type='text'>A morte do artista</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Conforme já é tradição, aqui coloco as primeiras palavras dum novo livro. Esta é uma primeira versão, que provavelmente será muito revista, mas aqui fica (o texto anterior - 124 Via Lenta - também integrará este mesmo romance - qual a ligação entre os dois? Isso depois verão). &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No deserto não há acácias, mas estariam a apodrecer, se as houvesse, lançando na brisa de Maio um odor putribundo e suado de alcova manchada de amor culpado. No deserto não há acácias, mas havia ela e ele num jipe que mastigava cascalho pela pista. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela, ao volante, de lenço lilás a amparar-lhe os cabelos negros. A paisagem estéril e o céu nu desfilavam-lhe com as suas misérias ao longo dos óculos escuros num reflexo de fantasmas esverdeados e, sob as lentes, um olhar que ele sabia tão opaco como elas, aquele olhar imperturbável de esfinge que ele sentia cravado no peito, bombeando ácido como o ferrão órfão duma abelha que se passou dos cornos. Os ombros dela, descobertos, amorteciam os acidentes do mapa e ele seguia com os olhos balanço daquela carne de bronze, o bronze duma medalha e dum pódio que umas vezes sabia ser seu, outras supunha, outras não, outras talvez e outras assim-assim.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele, enterrado no banco, temia aquele silêncio como temia dizer algo. Chamou-a então de mansinho: — Lara… — um solavanco do carro estragou-lhe o ambiente, mas ele esperou que o esgar de desconforto se lhe dissipasse dos lábios e insistiu, com a mão sobre a dela e a dela sobre o manípulo das velocidades: — Lara… Quero-te.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E ela sorriu porque tinha de sorrir e deitou-lhe um olhar seco. Seco, seco, seco como o deserto reflectido na película opaca dos óculos escuros. E ele, calado, encolheu o peito, desolhou e fixou-se no pó do ermo, na esperança que lhe secasse as lágrimas, escondidas na soleira das pálpebras, e o ferrão mais se crava e mais vaza, vaza, vaza veneno, foda-se, pensa ele, por que nos cansamos nós tão depressa das mulheres que nos amam loucamente e tudo fazem pela nossa atenção e nos apaixonamos pelas que...? Enfim. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na bagageira, as malas chocalham. Da boca da mochila dele, esventrada no banco traseiro, espreita a gárgula negra da capa de Love is a Dog From Hell, de Charles Bukowski, testemunha zombeteira das misérias privadas daquele habitáculo no meio de nenhures, com ar de quem diz eu bem te avisei.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E então ela encostou o carro e parou. Simpatizou com aquele lugar do universo. Sorriu, passou levemente os dedos pelo braço dele, beijou-lhe os lábios e abriu a porta. O ferrão deteve-se. Era feito disso mesmo o amor dele ou lá o que se lhe queira chamar: de pequenas vitórias e pequenas derrotas, de centelhas de esperança e banhos de descrença, fazendo balançar, ora para um lado, ora para o outro, os pratos duma balança que não se via. Se ao menos ela o dissesse, de uma vez por todas… &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele imaginava o deserto bem diferente: dunas, camelos, oásis, caravanas de beduínos, nada disso havia ali. O deserto são calhaus, calhaus encarnados, de todos os tamanhos, poeira, lacraus, casernas militares abandonadas e pistas que levam de nenhures a nenhures. Bem que ele imaginara um cenário diferente para aquilo que tinha em mente, para aquilo que ensaiara vezes sem conta, na véspera, no espelho quebrado da casa de banho da residencial Ibn Battuta, na última cidade antes do deserto, enquanto ela aguardava estirada na cama, com a sua camisa de noite negra. Mas aquilo era o que havia e não seria a desolação radical da paisagem que haveria de travar o passo aos sentimentos nobres. Inch Allah. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando ela abriu a porta do carro para retomar o caminho, ele deteve-a pelo braço e ela ficou a olhá-lo, sentada no banco, com as pernas morenas do lado de fora.&lt;br /&gt;— Lara… Já pensaste na pergunta que te fiz?&lt;br /&gt;— Já, mas ainda não tenho resposta. Quando quiser falar nisso, falo.&lt;br /&gt;— Mas eu preciso de saber…&lt;br /&gt;— Está calor aqui. Anda, entra no carro.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele ajoelhou-se na poeira e segurou-lhe a mão: — Não. Preciso que me digas. Prefiro ficar para aqui, sozinho, no meio do deserto, a viver um minuto mais na dúvida, sem o ouvir dos teus lábios.&lt;br /&gt;— Deixa-te de disparates, anda. — disse ela, num tom meigo, passando-lhe os dedos pelo rosto e libertando as pernas para se sentar de frente para o volante.&lt;br /&gt;— Não, Lara. Basto dizeres-mo. Senão, juro que fico aqui.&lt;br /&gt;Por momentos, ele viu o seu próprio olhar suplicante e pateticamente apaixonado reflectido nas lentes dos óculos escuros. Ela aproximou então o rosto dele, beijou-lhe os lábios e sussurrou: — Como queiras.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fechou a porta, pôs o motor a trabalhar e moveu o carro uns metros. Depois, deteve-se de novo e olhou-o pelo espelho. Não posso ceder agora, pensou ele, e ficou imóvel, ajoelhado no chão, com a palma da mão virada para cima como se pegasse ainda no fantasma da mão dela. Como ele não se movia, ela tornou a arrancar e ele ficou a ver o carro alugado desaparecer ao longe, sentado no chão, de olhar aparvalhado posto no ponto azul que desaparecia na poeira rubra.&lt;br /&gt;Ela volta, disse para ele mesmo. Ela volta. Se existe justiça neste mundo, decência, amor, Deus, o que se lhe queira chamar, ela volta. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E ele esperou que o destino perfeito daquela tarde se cumprisse e ela tornasse a cruzar o horizonte, lhe caísse nos braços e lhe dissesse as palavras que lhe vedariam o peito contra as correntes de ar. O suor formava um regueiro em redor do seu corpo, rapidamente sorvido pela poeira estéril, mas uma coisa ele sabia: ela volta. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As horas passaram-se, o sol desistiu da espera e começou a desmarcar-se para ir dar luz a um outro desgraçado qualquer, para lá do horizonte, e ele, sempre na dele: ela volta.&lt;br /&gt;Às tantas, veio a dúvida: será que ela volta mesmo?&lt;br /&gt;E por fim, a certeza: ela não volta. Merda. Ela não volta. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao menos tenho a pista, pensou. É ir andando de volta na direcção do vilarejo mais próximo. Fica a cinco horas de distância, de carro, mas pode ser que passe alguém que me acuda.&lt;br /&gt;No instante em que se levantou, sentiu o dia escurecer de repente. Olhou na direcção do sol e viu-o reduzido a um coágulo sangrento no meio dum manto rubro que engolia o céu e as nuvens e se aproximava a toda a velocidade. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Perto da pista erguia-se, precário, um casebre escavacado com frases em árabe tatuadas no reboco. Ele teve ainda tempo de buscar abrigo e ficou a aguardar que aquilo passasse. A poeira grossa açoitou as paredes de terracota durante longas horas, com um rugido ameaçador. Quando tudo acalmou, atreveu-se a espreitar pela soleira da porta, coberta por um monte de areia parda que lhe dava pela cintura. A paisagem em seu redor estava igual, mas totalmente diferente. Calhaus e poeira rubra, como sempre, mas outros calhaus e outra poeira. A pista sumira-se sob a tormenta. Depois da noite aparente, a noite real não tardava. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;— E agora, como vou achar o caminho de volta? Donde viemos? Donde vim?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-8160863761484648448?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/8160863761484648448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=8160863761484648448&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/8160863761484648448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/8160863761484648448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2008/07/morte-do-artista.html' title='A morte do artista'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-7164291243657697963</id><published>2008-06-06T01:30:00.004+01:00</published><updated>2008-06-06T01:40:42.018+01:00</updated><title type='text'>124 VIA LENTA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Dedicado a todos aqueles que sabem perfeitamente aquilo a que o título se refere&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que doçura, não é verdade? As luzes na terra, as luzes na água, a cidade, o rio, a maresia, os bentos salpicos de Tejo na fronha se conseguires lugar rente à borda. É verdade que tudo tem um ar meio seboso, a começar pelas cordas embebidas de óleo, sem esquecer as tábuas do convés queimadas pelo sal e a beata de SG Ventil cravada nos beiços do velho que ao teu lado deita olhares melancólicos para o fundo do rio como quem procura uma antiga namorada. Tens ainda de te abstrair dos urros e caralhadas trocadas entre marujos da água e marujos da terra. São marinheiros de água doce, todos eles, mas sabem mais do mundo do que tu aprenderias em dez vidas que vivesses. É um cruzeiro de pobres, mas também, por 74 cêntimos, estavas à espera do quê? Teu amigo é quem to diz: goza bem a vista sobre Lisboa, aprovisiona-a como quem enche o peito de ar antes de dar um mergulho, é a vista mais bela que terás à mão esta noite. Sejamos francos e directos: o mais belo de Almada é a vista privilegiada que temos sobre a Grande Alface. Quando andava na escola, tanto nos bombardearam com propaganda municipal, Almada, do lado certo, cidade de belezas sem igual, concelho de história, de tradição, de modernidade, tralalá pardais-ó-ninho que cheguei mesmo por momentos a acreditar nalgumas dessas patranhas. Sei que estás a desmentir só para me seres agradável, deixa-te disso que o desengano é a serventia da casa. O mais belo da margem sul, ou simplesmente a Margem, para os conhecedores, é esta vista que aqui tens, e a costa atlântica, bem entendido. Aí sim, a beleza é plena, mas o mérito não é do homem: o mar é o mar é o mar é o mar, é belo em qualquer parte do mundo (excepto, talvez na Inglaterra). Anda, salta, como toda a gente. Se esperarmos que eles estendam o passadiço ainda perdemos a camioneta. Que te parece a terra firme? A tudo isto chama-se Cacilhas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reza a lenda que o nome vem do «dá cá cilhas» que era dito pelos comerciantes ao descarregar a mercadoria dos barcos para o lombo dos burros. Não é propriamente lírico, bem sei. O cheiro é uma mistura de algas podres, óleo de máquinas e xamom rançoso. Não ligues ao rato espalmado no asfalto com marcas de pneu, é nova campanha da michelin, não sabias passas a saber. Aposto que não te arrependes da dúzia de ginjinhas com elas que esvaziámos nas Portas de Santo Antão! Em frente ao embarcadouro, para lá da caravana de táxis parados, uns beiges e outros verdes e negros, tens o enorme descampado, do tamanho de meio campo de futebol, que serve de terminal de autocarros a céu aberto. Para a direita, estendem-se o cais do Ginjal e Olho de Boi, uma doca estreita, escura e húmida, onde uma dúzia de fantasmas negros pescam bogas e tainhas pela noite adentro, em frente aos armazéns abandonados que ameaçam derrocada. Para a esquerda, tens os antigos estaleiros de reparação naval da Lisnave, também desactivados, uma lixeira de ferrugem a perder de vista, com docas secas, gruas, correias e maquinarias que destilam óleos antigos se faz chuva e assobiam das frestas se faz vento. É deixá-los estar quietos: com alguma imaginação e boa vontade, ainda se solda uma plaquinha de bronze àquele monte de ferro-velho para descerrar em vésperas de eleições com discurso e beberete, loas ao artista e direito a foto no boletim municipal, e com certeza há-de dar um bom monumento às «Conquistas de Abril» ou ao aniversário do «Associativismo Operário Livre». Ou a algo do género. Viver num concelho CDU por vezes dá a sensação de fazer parte duma recriação histórica do PREC, uma espécie de parque temático em que o rato Mickey usa bigode à Estaline. Digo-o com carinho. Do mal, o menos. Detestaria ver a freguesia ribeirinha de putas, marujos, estivadores, bêbados, carochos e loucos sonhadores substituída por meninos de fato e gravata com a pasta e o saco do ginásio numa mão e saquinho de papel da loja gourmet na outra. Os comunas, ao menos, mantêm aquilo num nível saudavelmente xunga. Sei que talvez não concordes comigo, mas eis o que penso: Portugal já foi uma nação de forcados, de campinos, marujos, pescadores de bacalhau, homens de barba rija, de pêlo na venta, gente de ardor, gente com raça, amante da paz, mas ciosa da sua honra e da sua liberdade. Mas uma seita de mariconsos e higieno-fascistas tomaram o poder sem nos termos dado conta e lentamente estão a transformar tudo a seu gosto. Eles não vão conquistar Cacilhas, jamais!, por cima do meu cadáver!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que dizes? Que eu falo como se gostasse realmente disto? E quem te disse que eu não gosto? ‘Tou-te a topar: como eu disse que isto era feio, tu pensaste logo que eu não gostava. É preciso ser-se um cabrãozinho bem comichoso para só gostar do que é belo, não achas? Que o coração não é um esteta é ponto assente, e não me venhas cá com Platão, o que é belo não é necessariamente bom nem vice-versa, que percebia esse gajo da vida? É um gosto que se adquire. Nem é bem um gosto, para ser preciso: é uma visão do mundo, que quando te agarra, já não te larga. Se não fosse um lugar-comum, diria mesmo que é um estado de alma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por essas e por outras, não tenciono impingir-te nada. Uma visita guiada nunca fez mal a ninguém. Podia ter-te calhado pior cicerone. Agora corre, ainda perdemos a camioneta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-7164291243657697963?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/7164291243657697963/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=7164291243657697963&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/7164291243657697963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/7164291243657697963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2008/06/124-via-lenta.html' title='124 VIA LENTA'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-7743519585305505647</id><published>2008-06-04T10:29:00.005+01:00</published><updated>2008-06-04T10:43:39.734+01:00</updated><title type='text'>Conselho ao jovem escritor</title><content type='html'>Ouve bem o que este grande homem tem para dizer. Quando terminares, ouve de novo e de novo até entrar mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=r1e5Jeh2Fk0"&gt;Charles Bukowski - "Poetry is a beer shit"&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha tirada preferida: "Those who say the poet is a very private and precious person - I don't agree with. Generally he's just a dumb fiddling asshole writing insecure lines that don't come through, believing he's imortal, waiting for his imortality which never arrives because the poor fucker just can't write". Isto é &lt;em&gt;tão&lt;/em&gt; verdade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-7743519585305505647?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/7743519585305505647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=7743519585305505647&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/7743519585305505647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/7743519585305505647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2008/06/conselho-ao-jovem-escritor.html' title='Conselho ao jovem escritor'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-6183259413386856137</id><published>2008-06-03T15:28:00.001+01:00</published><updated>2008-06-03T15:29:41.378+01:00</updated><title type='text'>Projectos de vida</title><content type='html'>&lt;strong&gt;1.º&lt;/strong&gt; Escrever que nem um danado, trabalhar para a fama póstuma (que tem aquele doce e vingativo sabor do “eu bem dizia”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.º&lt;/strong&gt; Bater a bota aos 28 anos, como o Morrison, a Janis e o Hendrix, de forma glamorosa, e dar um bonito cadáver (viúva chorosa e morgadito para viver à conta do nome e dos rendimentos do Freire Estate, certamente um maius)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3.º&lt;/strong&gt; Dizer a umas quantas pessoas o quanto gosto delas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4.º&lt;/strong&gt; Dizer a umas quantas pessoas o quanto quero que se fodam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5.º&lt;/strong&gt; Ver, por fim, essas fotos de Cuba (!!!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-6183259413386856137?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/6183259413386856137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=6183259413386856137&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/6183259413386856137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/6183259413386856137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2008/06/projectos-de-vida.html' title='Projectos de vida'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-2027895057401254147</id><published>2008-06-03T11:00:00.002+01:00</published><updated>2008-06-30T15:09:57.193+01:00</updated><title type='text'>O mal das Due Diligences</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lição de vida para o jovem advogado: se não estás preparado para o que podes encontrar, o melhor é mesmo omitir toda e qualquer Due Diligence. Sobretudo quando o que está em causa não tem que ver com M&amp;amp;As. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-2027895057401254147?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/2027895057401254147/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=2027895057401254147&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/2027895057401254147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/2027895057401254147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2008/06/o-mal-das-due-diligences.html' title='O mal das Due Diligences'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-4991277632298913045</id><published>2008-06-03T01:20:00.007+01:00</published><updated>2008-06-03T14:27:30.502+01:00</updated><title type='text'>Um dois três João não salva ninguém</title><content type='html'>Não sei ao certo como vim aqui parar, nem o que estou aqui a fazer. O que é certo é que voltei. Não se deve voltar aos locais onde se foi feliz, bem sei, mas agora cá estou e não há volta a dar-lhe. Esta porta, fechada durante anos, rangeu em ecos de mausoléu e, pela nesga, vi escorrer uma réstia de fumo sobrada de outras eras. E que eras! Foi a puta da loucura, queridos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Di é agora uma advogada de sucesso, com o mesmo feitio de merda e carácter de ouro. O Nuno lá anda perdido por Barcelona, a acarinhar cancrozinhos em caixas de petri como se fossem tamagoshis (resta saber se a salvar a humanidade do cancro se o cancro da humanidade), a armar conflitos diplomáticos em estados-tampão obscuros do antigo bloco comunista e a sonhar com o seu bar na praia. O TM, bom, não faço ideia - tenho passado pela Lusófona, ocasionalmente, e enquanto espero pela razão que me leva lá, por vezes penso que seria giro aparecer alguém a falar das propriedades biológicas do tomilho ou das razões que fazem com que a Lomo seja melhor que sexo. São questões importantes que alguém deveria mesmo abordar nos dias que correm. A sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, estou três anos mais velho e duas vezes mais louco. Fiz coisas de que me orgulho, outras que nem por isso. Nos tempos áureos deste blogue, andava o escrever o meu "Funafunanga", vivendo a fugaz ilusão de ter meia iuris-cáfila lisbonense crendo-me o anticristo e a outra metade achando-me uma espécie de Che Guevara; a trabalhar que nem um mouro e a escrever desenfreadamente até às três ou quatro da manhã para no dia seguinte retomar aquele Brotberuf que odiava e no fim de semana embebedar-me de caixão à cova nos piores antros para exorcizar tudo o que me fizesse lembrar das escolhas por mim mesmo feitas, livre e conscientemente, e também em busca de matéria-prima literária, há que dizê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas entraram na nossa vida. Pessoas sairam da nossa vida. Somos como uma porra duma Santa Apolónia, cada um de nós, simplesmente há uns poucos que vão ficando, tipo mendigo que está sempre sentado no mesmo local, com o cão, de mão estendida, num canto a tresandar a mijo mas onde ele se sente bem. Mesmo que, por muita estupidez, nos ocorra correr com essa personagem, ela volta sempre, para aquele mesmo canto, com a sua trouxa. É para esses que farei, ao longo dos próximos dias, um esforço para explicar, afinal, o "que vos queria ontem às 3 da manhã" (lembras-te, Di?)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-4991277632298913045?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/4991277632298913045/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=4991277632298913045&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/4991277632298913045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/4991277632298913045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2008/06/um-dois-trs-joo-no-salva-ningum.html' title='Um dois três João não salva ninguém'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-114082910889026026</id><published>2006-02-25T00:52:00.000Z</published><updated>2006-02-25T00:58:28.916Z</updated><title type='text'>As maiores vigarices da era pós-moderna: o "emprego ideal"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Este texto estava num dos meus blocos de notas e faz parte de um conjunto de dissertações filosóficas e sociológicas ainda em construção em volta da temática dos maiores embustes e os maiores charlatães da nossa era.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, dir-se-ia que não existe um único ser humano nas sociedades ocidentais plenamente contente com a sua situação profissional. Tornam-se frequentes desabafos de o trabalho que fazem não ter a ver com o seu perfil, de não se sentirem realizados, da monotonia do quotidiano laboral. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na era industrial, as reivindicações dos assalariados tinham a ver sobretudo com a remuneração e com as condições de trabalho. Hoje em dia, num período da história em que grande parte da população ocidental trabalha no sector dos serviços, essas reivindicações, apesar de manterem a actualidade, passaram para segundo plano em relação a outras mais “metafísicas”, que se prendem com a natureza do trabalho em si.&lt;br /&gt;Mesmo quanto às reivindicações puramente materialistas, o assalariado da era industrial tinha sempre a hipótese da greve, da revolta proletária, da revolução socialista que, se não resolvia os seus problemas, sempre era uma excelente via de escape para a agressividade latente. Hoje essas manifestações estão profundamente fora de moda e pode dizer-se que caíram totalmente em desuso junto da classe média (com excepção dos funcionários públicos e, ainda assim, sem um décimo da violência dos tempos áureos), de mentalidade pequeno-burguesa e avessa a tudo o que cheire ainda que vagamente a “manias dos comunas”. A classe média, sociológica e economicamente, vive na encruzilhada por se encontrar a meio da pirâmide da exploração, que mais não é do que a velha e biológica pirâmide alimentar aplicada às sociedades humanas. Essa encruzilhada deriva do facto desta classe manter sentimentos de solidariedade com os dois extremos: a solidariedade com as classes baixas deriva do facto de, tal como elas, também a classe média sentir sobre si o peso da exploração capitalista; a solidariedade com as classes altas deriva de, tal como elas, também esta classe ter as suas poupanças e aforros a defender, ainda que a um nível mais modesto. Deste cerco deriva a mentalidade pequeno-burguesa, que se caracteriza justamente pela amarga consciência da sua própria exploração (tal como sucede com as classes baixas), combinada com a falta de coragem para se revoltar contra esse jugo, porque também tem algumas poupanças em jogo (tal como as classes altas). Daí deriva a posição de neutralidade forçada da classe média em relação à luta de classes. Não é verdade que a classe média não tenha consciência de classe, como defendem alguns marxistas mais ressabiados com a evolução da história pós-Perestroika. Ela tem uma mentalidade de classe extremamente arreigada e é essa mentalidade determina a sua ânsia de “estar de bem com Deus e com o diabo”, defendendo da melhor forma que lhe parece possível os seus interesses pequeno-burgueses—pequeno-burgueses, ou seja, burgueses, mas dos pequeninos…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contudo, a frustração em relação à actividade profissional que aqui se fala não é a frustração que deriva da pura e simples exploração económica: ela é espiritual. O paradigma marxista da alienação revela-se completamente inútil para explicar este fenómeno, cujas causas não são materiais nem economicistas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A frustração de muita gente em relação à sua actividade profissional deriva de um erro de perspectiva que tem a sua génese na democratização do ensino superior.&lt;br /&gt;As pessoas frequentemente procuram um emprego que as faça sentirem-se “realizadas enquanto seres humanos”, que as “estimule”, em suma, que dê um sentido às suas existências. Este fenómeno é tão mais notório quão maior for o grau de educação dos trabalhadores.&lt;br /&gt;Ao longo de séculos, as universidades eram vistas como catedrais do saber pelo saber, locais de discussão teórica e bastiões de conhecimentos herméticos, apenas acessíveis a uma pequena minoria privilegiada. As universidades serviam para instruir os filhos de famílias ricas, clérigos e nobres, que delas faziam fóruns de debates mais ou menos diletantes e desligados da realidade social: em suma, as universidades serviam exclusivamente quem delas não necessitava para a economia das suas vidas.&lt;br /&gt;Com a democratização do acesso ao ensino superior, em muitos países europeus acompanhada pela gratuitidade, tendencial ou efectiva, do mesmo, as universidades viram-se invadidas por uma multidão de origens humildes que com enorme esforço económico reclamava delas não apenas a transmissão de conhecimentos teóricos pelo simples prazer de aprender, mas como veículo de ascensão social. Pela primeira vez na sua história, as sumidades catedráticas que povoavam as bibliotecas e anfiteatros académicos viram-se confrontadas por uma multidão oriunda da classe média que desprezava a teoria pura e reclamava por “cursos com saída”.&lt;br /&gt;Compreende-se que essas novas gerações, ao fim de anos de grande investimento financeiro e intelectual na obtenção de uma educação superior, pretendessem, com o diploma na mão, ser de algum modo recompensadas por todo esse esforço. Assim, colocam toda a expectativa de uma vida realizada na sua colocação no mercado de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém, buscam esse ideal no local errado. Aqui vem a dura realidade: trabalho é trabalho—não é suposto ser agradável, não foi pensado como instituição para contribuir para a realização espiritual dos seres humanos, e não há registo de nirvanas atingidos durante reuniões de negócios—ou tão pouco de coffee breaks… O trabalho cumpre, da perspectiva do trabalhador, única e exclusivamente uma função económica que é a de assegurar o sustento do próprio e respectiva família. Porventura retirariam os homens das cavernas prazer das caçadas a animais selvagens? Ou interrogar-se-iam sobre essa questão? Contudo, do ponto de vista da função social e económica, não existe diferença alguma entre caçar um mamute e trabalhar das nove às cinco em frente a um computador. Será que o camponês, cujos pais, avós e bisavós sempre foram camponeses e que nada mais possui além das suas terras, perde tempo a questionar-se sobre se trabalhar no campo será a actividade ideal para si, tendo em conta o seu perfil psicológico imaginativo e empreendedor?&lt;br /&gt;Antes do alvor do epidémico &lt;em&gt;mal de vivre&lt;/em&gt; laboral, as pessoas procuravam a razão das suas vidas, aquilo que as fazia sentirem-se realizadas, a outros lados que não à actividade destinada ao seu sustento: iam buscá-lo à família, aos amigos, eventualmente até à actividade política, cultural e artística. Não faziam exigências metafísicas e irrealistas ao trabalho, exigências para cuja satisfação tal instituição não foi idealizada, a e assim tinham uma relação equilibrada do ponto de vista espiritual com a actividade profissional que exerciam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pormenor linguístico típico do messianismo laboral: é frequente dizer-se “Eu sou advogado” em vez de “Eu dedico-me à advocacia” ou “Eu sou contabilista” em vez de “Eu trabalho em contabilidade”. Completa e inexorável projecção da imagem do próprio ser na actividade que se realiza para alcançar o sustento. Deveria haver terapias de grupo subsidiadas cujo objectivo fundamental seria criar seres humanos que, findo o processo terapêutico, afirmassem com toda a convicção “Advogado/Contabilista/Pastor/Arquitecto é aquilo que eu FAÇO. Aquilo que eu sou é infinitamente mais vasto, mais complexo e mais profundo!”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mais grave é que existem indivíduos—sobretudo psicólogos e técnicos de recursos humanos, genericamente chamados conselheiros vocacionais—que vivem de inculcar e perpetuar esta loucura na mente das pessoas. Estes estão entre os maiores charlatães da era pós-moderna!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-114082910889026026?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/114082910889026026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=114082910889026026&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/114082910889026026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/114082910889026026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/02/as-maiores-vigarices-da-era-ps-moderna.html' title='As maiores vigarices da era pós-moderna: o &quot;emprego ideal&quot;'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-114009363313477925</id><published>2006-02-16T12:38:00.000Z</published><updated>2006-02-16T12:40:33.160Z</updated><title type='text'>E o que é a verdade?</title><content type='html'>"&lt;em&gt;A verdade é uma virgem ausente vestida com sete mantos, e nenhum deles a desnuda, porque sob a última veste, a mais íntima, há ainda poalha translúcida, uma tortura de névoa, que é como um vento esquecido e cúmplice&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;(in António Arnaut pp 91 e 92)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-114009363313477925?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/114009363313477925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=114009363313477925&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/114009363313477925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/114009363313477925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/02/e-o-que-verdade.html' title='E o que é a verdade?'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-114005638796310235</id><published>2006-02-16T02:10:00.000Z</published><updated>2006-02-16T02:19:47.986Z</updated><title type='text'>Homem Comum - A Testemunha!</title><content type='html'>Tendo terminado o ignóbil (será isto uma injúria?) memorial de Arnaut (António de seu nome primeiro) conlcuo pela beaticidade clara do autor bem como algumas passagens dignas de uma (tragi) comédia...Entre outras cito a mais marcante sem prejuízo de um dia destes vir a entregar-vos a sua definição de "verdade".&lt;br /&gt;Ora dissertando acerca da personalidade do inquirido vem o dito tipificado:&lt;br /&gt;(sic)&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;O &lt;strong&gt;autoritário&lt;/strong&gt;, representado em geral pelos que usam farda, considera-se sempre infalível e insuspeito. O &lt;strong&gt;bilioso&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; [virá de bilis???] &lt;em&gt;tende a desviar-se das perguntas como o cavalo do laço. O &lt;strong&gt;impressionista&lt;/strong&gt; realça apenas factos secundário. O &lt;strong&gt;esperto&lt;/strong&gt; pretende conhecer toda a verdade e , se tem dúvidas, ineventa. A &lt;strong&gt;mulher&lt;/strong&gt;, pela sua especial sensibilidade é muitas vezes arrastada para a mentira inconsciente. O &lt;strong&gt;homem comum&lt;/strong&gt; é a testemunha mais conf&lt;/em&gt;iável."(sublinhado nosso)&lt;br /&gt;Como podemo ver a "mulher" é um tipo autónomo de testemunha... que não queremos ver pela frente! O senhor tem também uma trauma com fardas (será do cacetete do polícia ou da amiga quarentona enfermeira?)&lt;br /&gt;Questão: quem é o HOMEM COMUM?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-114005638796310235?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/114005638796310235/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=114005638796310235&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/114005638796310235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/114005638796310235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/02/homem-comum-testemunha.html' title='Homem Comum - A Testemunha!'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113805866558462001</id><published>2006-01-23T23:22:00.000Z</published><updated>2006-01-23T23:34:29.603Z</updated><title type='text'>O Frio (primeiras linhas de um romance alucinado)</title><content type='html'>—Nessa noite estava frio… Alguma vez tiveste frio?&lt;br /&gt;Ela observava, distraída, a rua desfilando na montra do café.&lt;br /&gt;—Alguma vez tiveste frio?—insisti, tocando-lhe no ombro.&lt;br /&gt;—Se tive o quê?&lt;br /&gt;—Frio!—repeti.&lt;br /&gt;—Claro que já tive frio!—disse ela, levemente incomodada com a pergunta.&lt;br /&gt;—Não estou a falar do frio que se tem quando se sai à rua à noite sem um casaquinho de malha para proteger os ombros. Não é o frio que apenas incomoda, estou a falar daquele frio que penetra até no tutano dos ossos, que se infiltra nos fluidos do corpo e entorpece o cérebro… Um tipo sente-se indefeso à brava, quando sente o sangue e o sémen congelarem-se-lhe nas veias e nos tomates, matando-o lentamente, a partir de dentro… Um frio de se pode ver, cheirar, ouvir e provar na língua aquele sabor gélido a morte. Frio a sério. O frio que têm aqueles que não têm para onde fugir dele.&lt;br /&gt;Ela olhou-me em silêncio, apertando a carne das bochechas contra os dentes para não chorar.&lt;br /&gt;—Tu tens para onde fugir do frio. Só não o fazes porque não queres!—respondeu, por fim.&lt;br /&gt;—Estamos a desviar-nos da história.—murmurei—Mas dizia eu… Nessa noite estava frio. Só para teres uma ideia, estava tanto frio, tanto frio, que quando um se peidava, os outros juntavam-se logo à volta do cu dele para aquecerem as mãos.&lt;br /&gt;Ela estremeceu com um esgar de nojo. Há muito que eu tinha o hábito de a escandalizar com narrativas grotescas e tiradas obscenas e viscerais enxertadas no meio de conversas civilizadas. Ela costumava afastar-me com uma pancada no ombro e uma careta, chamando-me porco. Desta vez não me chamou nada, nem fez qualquer careta. Apenas um esgar tristonho, sinal de que sabia que, desta vez, eu poderia não estar a brincar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113805866558462001?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113805866558462001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113805866558462001&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113805866558462001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113805866558462001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/01/o-frio-primeiras-linhas-de-um-romance.html' title='O Frio (primeiras linhas de um romance alucinado)'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113676108413836167</id><published>2006-01-08T22:52:00.000Z</published><updated>2006-01-08T22:58:04.156Z</updated><title type='text'>A história do homem que ensinou o olho do cu a falar</title><content type='html'>&lt;p&gt;Dedicado a todos aqueles que só dizem merda.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Alguma vez te contei a história do homem que ensinou o seu próprio olho do cu a falar? Todo o seu abdómen se mexia para cima e para baixo, percebes, peidando as palavras. Nunca tinha visto nada assim. A voz do rabo dele tinha uma espécie de tonalidade rouca. Batia bem fundo na alma, tal como quando tu precisas de ir… Sabes como é, quando o velho cólon te dá uma cotovelada e te sentes frio por dentro e tu sabes que tudo o que tens a fazer é soltá-lo? Bom, a voz dele dava-te dessa forma, um som denso, efervescente e estagnado, um som que se podia cheirar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este homem trabalhava num circo, compreendes, e no inicio era como um espectáculo de ventríloquo, mas muito mais divertido. Ele tinha um número a que chamava “O melhor olho” que era de gritos, estou-te a dizer! Já me esqueci da maior parte, mas era inteligente. Do género “Oh, ainda estás aí em baixo, amigo?”, “Nah, tive que sair para me ir aliviar”. Ao fim de uns tempos, o cu começou a falar sozinho. Ele passou a aparecer em palco sem nada preparado e o cú fazia o espectáculo todo sozinho! Depois, o cu desenvolveu uma espécie de ganchetas em forma de dentes e começou a comer. O homem achou-lhe piada no início e passou a adicionar essa habilidade ao seu número, mas o cú ocasionalmente decidia comer-lhe as calças e começar a falar no meio da rua, gritando que queria direitos iguais. Também passou a embebedar-se, e quando lhe dava para chorar ninguém o aturava e queria ser beijado como qualquer outra boca. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Finalmente, o cú falava a toda a hora, de dia ou de noite, e podia ouvir-se o homem em vários quarteirões gritando-lhe que se calasse, espancando-o com o punho e enfiando velas por ele acima, mas nada resultava. Um dia, o cú disse-lhe “És tu quem no final se vai calar, não eu! Isto porque nós já não precisamos de ti para nada. Eu consigo falar e comer E cagar”. Depois disso, o homem começou a acordar com uma substância transparente e gelatinosa sobre a boca. Essa substância era aquilo a que os cientistas chamam TinD, Tecido Indiferenciado, que se pode desenvolver e tornar-se qualquer tipo de carne no corpo humano. Ele arrancava-o da boca e os pedaços colavam-se às suas mãos como gelatina de gasolina a arder e cresciam ali, cresciam em qualquer parte do seu corpo. Então finalmente a sua boca ficou completamente selada e toda a sua cabeça se tornou espontaneamente amputada, excepto os OLHOS, percebes. A única coisa que o olho do cú não podia fazer era ver. Precisava dos olhos. Mas as ligações nervosas estavam bloqueadas e atrofiadas e infiltradas, de forma que o cérebro já não conseguia dar ordens. Estava prisioneiro do seu próprio crâneo, para sempre selado. Por algum tempo foi possível ver o sofrimento silencioso do cérebro por detrás dos olhos, depois finalmente o cérebro deve ter morrido, porque os olhos apagaram-se e não havia mais emoção neles do que nos olhos de um caranguejo após ser pescado."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;William Burroughs, &lt;em&gt;Naked Lunch&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113676108413836167?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113676108413836167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113676108413836167&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113676108413836167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113676108413836167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/01/histria-do-homem-que-ensinou-o-olho-do.html' title='A história do homem que ensinou o olho do cu a falar'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113675689578581011</id><published>2006-01-08T21:45:00.000Z</published><updated>2006-01-08T21:48:15.803Z</updated><title type='text'>Quem inventou o PROTOCOLO?</title><content type='html'>-Diz o PROTOCOLO que, estando mais de 4 pessoas à mesa, ninguém tem de esperar para começar a refeição.&lt;br /&gt;-Quem é que inventou o PROTOCOLO?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113675689578581011?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113675689578581011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113675689578581011&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113675689578581011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113675689578581011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/01/quem-inventou-o-protocolo.html' title='Quem inventou o PROTOCOLO?'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113642755286856456</id><published>2006-01-05T02:02:00.000Z</published><updated>2006-01-08T17:07:47.033Z</updated><title type='text'>ydshgrtvino</title><content type='html'>I walk along the lonely street, by myself, speaking at the floor!I don't know what I mean, no one knows what I mean. I've seen this movie before.Another her, another him..but the same movie. I've been told about it, I've seen it, I'ive lived it...I know the way it ends...screaming, laughing, smilling, havinhg fun, crying...And it all goes on, and on and on...&lt;br /&gt;Some people get horny, other get bored. I'm an outsider ant watch them all...living their one lifes, while I'm leaving mine...I try to wave and say goodbye, I need a higher flight..nobody sees me. Everybody sees something, not, somebody...&lt;br /&gt;I'm SOMEBODY, what a hell!!!Are U all listenning to me? I wanna be great, amazing (well I have a fabulous butt after all), the BEST (não confundir com besta) of all times, memorable and not memorable (será not ou non??).&lt;br /&gt;I know I'm alive!!!!!! I know how to love!!U learn that in high school don't U??? They teach that at school don't they?&lt;br /&gt;The bad guy came in...and told:better U close the door next time! I was just answering when he closed the door. I kept the answer to myself!&lt;br /&gt;I 'm a giraffe!!!! Till the end f times! Tall, over everybody, don't give anybody a thing... just myself! I'm good, so, being myself is just fine, for me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Good bye, my dears..It was just fine to meet U all !Say hello for me! (bill hicks was there.1º-será q foi mm o bill hicks q eu vi?n me lembro. lembro me do sofá....2ºwas there, means "tava lá").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Love U!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113642755286856456?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113642755286856456/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113642755286856456&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113642755286856456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113642755286856456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/01/ydshgrtvino.html' title='ydshgrtvino'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113642646430953445</id><published>2006-01-05T01:56:00.000Z</published><updated>2006-01-08T17:12:56.230Z</updated><title type='text'>Where the fuck were U, bastard, while we were fucking getting high, son of a bitch???(champagne supernova..in the sky)</title><content type='html'>&lt;em&gt;How many special people change?&lt;br /&gt;How many lives are living strange?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Where were you while we were getting high?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Slowly walking down the hall&lt;br /&gt;Faster than a cannonball&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Where were you while we were getting high?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Someday you will find me&lt;br /&gt;Caught beneath the landslide&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff33;"&gt;In a champagne supernova in the sky&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Someday you will find me&lt;br /&gt;Caught beneath the landslide&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;In a champagne supernova&lt;br /&gt;A champagne supernova in the sky&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Wake up the dawn and ask her why&lt;br /&gt;A dreamer dreams, she never dies&lt;br /&gt;Wipe that tear away now from your eye&lt;br /&gt;Slowly walking down the hall&lt;br /&gt;Faster than a cannonball&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Where were you while we were getting high?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Someday you will find me&lt;br /&gt;Caught beneath the landslide &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;In a champagne supernova in the sky&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Someday you will find me&lt;br /&gt;Caught beneath the landslide&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;In a champagne supernova&lt;br /&gt;A champagne supernova&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;'Cuz we don't believe&lt;br /&gt;That they're gonna get away from the summer&lt;br /&gt;But you and I will never die&lt;br /&gt;The world's still spinning around we don't know why&lt;br /&gt;Why-why-why-why-i-i&lt;br /&gt;&lt;em&gt;How many special people change?&lt;br /&gt;How many lives are living strange?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Where were you while we were getting high?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Slowly walking down the hall&lt;br /&gt;Faster than a cannonbal&lt;br /&gt;l Where were you while we were getting high?&lt;br /&gt;Someday you will find me&lt;br /&gt;Caught beneath the landslide&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff99;"&gt;In a champagne supernova in the sky&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Someday you will find me&lt;br /&gt;Caught beneath the landslide&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff33;"&gt;In a champagne supernova&lt;br /&gt;A champagne supernova&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;'Cuz we don't believe&lt;br /&gt;That they're gonna get away from the summer&lt;br /&gt;But you and I will never die&lt;br /&gt;The world's still spinning around we don't know why&lt;br /&gt;Why-why-why-why-i-i&lt;br /&gt;&lt;em&gt;How many special people change?&lt;br /&gt;How many lives are living strange?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Where were you while we were getting high?&lt;br /&gt;We were getting high&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113642646430953445?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113642646430953445/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113642646430953445&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113642646430953445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113642646430953445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/01/where-fuck-were-u-bastard-while-we.html' title='Where the fuck were U, bastard, while we were fucking getting high, son of a bitch???(champagne supernova..in the sky)'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113633670141114031</id><published>2006-01-04T01:01:00.000Z</published><updated>2006-01-04T01:05:01.423Z</updated><title type='text'>BANANA</title><content type='html'>-Então, não lhe falaste?&lt;br /&gt;-Nah...não falo com fruta!&lt;br /&gt;-Fruta???&lt;br /&gt;-Sim, o gajo é um banana!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.-Obrigada, grande David!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113633670141114031?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113633670141114031/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113633670141114031&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113633670141114031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113633670141114031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/01/banana.html' title='BANANA'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113623758163827518</id><published>2006-01-02T21:32:00.000Z</published><updated>2006-01-02T21:33:01.730Z</updated><title type='text'>Patas</title><content type='html'>Se um pato tem duas patas...quantas patas tem um pato?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113623758163827518?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113623758163827518/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113623758163827518&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113623758163827518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113623758163827518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2006/01/patas.html' title='Patas'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113434744907365763</id><published>2005-12-12T00:08:00.000Z</published><updated>2005-12-12T00:30:49.086Z</updated><title type='text'>O que realmente importa</title><content type='html'>A vida é muito simples, nós é que somos umas bestas e complicamos tudo. Não sabemos distinguir aquilo que é realmente importante, daquilo que não é. E aquilo que foi realmente importante, para um gajo doido que passou um fim de tarde encavalitado nas falésias da Arriba Fóssil da Caparica com uma máquina fotográfica, foi registar cada segundo dos últimos momentos de sol no continente europeu, no dia 8 de Dezembro de 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareceu-lhe um momento solene. Fulcral. É claro que existem muitos outros momentos solenes, fulcrais, para muita gente. Mas se o Zé não recebesse uma promoção no emprego e se a Maria não se casasse com o Luís e se o Nicolau não tivesse sido o primeiro ser humano a pisar o planeta Marte, o mundo continuaria a girar. A vida dos que nele vivem seria porventura diferente, mas continuaria a girar. Ora, se o Sol recusasse pôr-se e ficasse indefinidamente pendendo a meio do nosso céu, aí estariamos todos metidos num belo sarilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/50/sunset%20over%20caparica%20-%208th%20december%202005%20003.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/320/sunset%20over%20caparica%20-%208th%20december%202005%20003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/50/sunset%20over%20caparica%20-%208th%20december%202005%20007.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/320/sunset%20over%20caparica%20-%208th%20december%202005%20007.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/50/sunset%20over%20caparica%20-%208th%20december%202005%20004.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/320/sunset%20over%20caparica%20-%208th%20december%202005%20004.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113434744907365763?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113434744907365763/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113434744907365763&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113434744907365763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113434744907365763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/12/o-que-realmente-importa.html' title='O que realmente importa'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113391203769538791</id><published>2005-12-06T23:23:00.000Z</published><updated>2005-12-06T23:41:08.970Z</updated><title type='text'>Quando as almas se descascam e dois olhares se desabotoam (cenas de próximos capítulos)</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/50/dreamanatomy.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/320/dreamanatomy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p&gt;Nasci numa conjugação planetária complicada. Júpiter estava de pau feito na casa de Vénus enquanto Marte e Neptuno jogavam à sueca em Urano e Gémeos fumavam uma com Capricórnio. Talvez por isso dê um valor quase místico às mais pequenas e banais coisas do quotidiano. Ou talvez seja pura e simplesmente louca... Mas não sou a única.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A conversa daquela noite era dominada por Miguel que, de olhar escarlate e palpitante, explicava as teorias que lhe ocorriam por essa Europa fora, em momentos de alucinação.&lt;br /&gt;— Vejam se me compreendem!, dizia ele, Uma dimensão é tudo aquilo que só é mensurável dentro de si próprio. É impossível medir o peso de uma hora ou de um minuto, por exemplo, porque o tempo só é mensurável através dele mesmo. Posso olhar para uma cadeira e medi-la, pesá-la. No entanto, se fecho os olhos, essa mesma cadeira mantém-se na minha mente, mas passa para outra dimensão que não é a do espaço. Eu não posso medir ou pesar o meu pensamento sobre uma cadeira. Isto significa que tudo aquilo em que pensamos se encontra numa dimensão diferente da do espaço e do tempo.&lt;br /&gt;Faria, também muito embriagado, respondia qualquer coisa sem nenhuma ligação ao que Miguel estava a dizer, mas fazia-o com todo o ar de quem refutava as suas palavras: — Sim, mas tu só pensas naquilo que existe. Se pensares num elefante com duas cabeças, o processo intelectual que levas a cabo é reproduzir na tua mente um elefante normal e adicionar-lhe uma cabeça a mais. O todo, em si, não existe fisicamente, mas as partes que juntas para o formar, existem.&lt;br /&gt;E então Miguel respondia, contradizendo-se a si próprio, mas sem que isso o atrapalhasse minimamente: — Só penso nas coisas que existem para mim, através de representações dos objectos.&lt;br /&gt;Era como que um jogo estranho, em que a única regra era manter a conversa a correr. O que realmente se dizia era irrelevante. O mais provável, de qualquer modo, era no dia seguinte já ninguém se lembrar daqueles diálogos surreais.&lt;br /&gt;Excitados e eufóricos, com os alcalóides dos excessos daquela noite a chicotearem-nos para a frente como a cavalos de corrida, tanto fazia que falarmos através de palavras e frases com sentido, como usando uma língua inventada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se me dirigisse a Miguel gritando “Mara ta urxani manota pubai!”, estou certa que ele responderia algo do género de “Gnasuna ot vanera sompa timurna pubai!!”, e entender-nos-íamos na perfeição, não na mensagem que as nossas palavras transmitiam, que era nenhuma, mas na ânsia de falar e de existirmos uns com os outros.&lt;br /&gt;Miguel continuava a expor as suas teses mirabolantes. Agora havia-se levantado e discursava de modo inflamado, enquanto gesticulava com os braços: —Temos alguma garantia de que o pensamento é realmente aquilo que sempre nos disseram? Alguma vez alguém assistiu, com os seus próprios olhos, à actividade de um cérebro gerando um pensamento? E se tudo for mentira, e os pensamentos não forem meras abstracções? E se os pensamentos existirem fisicamente, como que a flutuar por si e desgarrados de qualquer indivíduo? Se assim for, quando temos a mente sintonizada em determinada frequência espiritual, captamos determinados pensamentos, como o aparelho que apanha estações de rádio. Isto explicaria fenómenos como a telepatia. A telepatia mais não seria do que o entendimento profundo que se forma entre duas pessoas que têm momentaneamente os seus espíritos sintonizados numa mesma frequência de pensamento, ao mesmo tempo. Já pensaram bem nisto? Se assim for, isto é o fim da individualidade do ser humano: a partir do momento em que nós não temos pensamentos que sejam nossos, fabricados por nós, mas apenas os captamos como qualquer outro pode captar, todos somos meros receptores, meras antenas de captação, à partida vazias de sentido.&lt;br /&gt;Continuei a ouvir Miguel falar, até que a certa altura deixei de distinguir palavras nos sons que a sua boca emitia. Os seus sons fundiam-se nas vozes dos outros, no barulho dos grilos, da música que tocava na aparelhagem sonora de Faria. Foi então que reparei que Francisco olhava para mim, com um sorriso compreensivo.&lt;br /&gt;—Estás a ouvir alguma coisa do que ele está a dizer?, perguntei-lhe (parecia que apenas estávamos ali nós os dois e todos os outros encontravam-se separados de nós por uma espécie de pano de veludo transparente, ou a anos-luz de distância).&lt;br /&gt;—Eu não. E tu?, perguntou rindo.&lt;br /&gt;—Também não!&lt;br /&gt;Ficámos a rir um para o outro, apatetados e felizes com aquele instante dourado de cumplicidade. Segundo a louca teoria de Miguel, os nossos espíritos estariam simultaneamente sintonizados na mesma frequência de pensamento, o que era agradável. Tiveramos um instante de verdade. Um instante de verdade ocorre sempre que uma alma se descasca perante outra. Sempre que dois olhares opacos se desabotoam.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O pensamento é algo tão solitário, tão inadmissivelmente solitário! Só a telepatia nos pode salvar da inexorável solidão do nosso ser. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Assinado: A &lt;strong&gt;OUTRA &lt;/strong&gt;DIANA&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113391203769538791?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113391203769538791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113391203769538791&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113391203769538791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113391203769538791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/12/quando-as-almas-se-descascam-e-dois.html' title='Quando as almas se descascam e dois olhares se desabotoam (cenas de próximos capítulos)'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113363341709495953</id><published>2005-12-03T17:51:00.000Z</published><updated>2005-12-03T18:47:29.576Z</updated><title type='text'>Letra para música pimba</title><content type='html'>(dedicado àqueles que pensam que estes bloguistas são doidos varridos... o povo adora ver doidos... é um pouco como o abrandar para ver o desastre à beira da auto-estrada... Façamos-lhe a vontade... É o que mantém viva a arte!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho duas amigas,&lt;br /&gt;Uma é Maria, outra Joana,&lt;br /&gt;Com suas lindas cantigas&lt;br /&gt;Mando o mundo p'rás urtigas&lt;br /&gt;E levo-as as duas para a cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Maria é mais calminha,&lt;br /&gt;Dá-lhe mais para divagar,&lt;br /&gt;A Joana é erva daninha&lt;br /&gt;Quando lhe dá p'rá brincadeirinha&lt;br /&gt;Fala e ri sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são loiras nem morenas,&lt;br /&gt;São as duas verdinhas&lt;br /&gt;São bonitas e singelas,&lt;br /&gt;Mas não te descuides, amigo&lt;br /&gt;Porque ninguém bate como elas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá, pessoal!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém bate como elas!&lt;br /&gt;Ninguém bate como elas!&lt;br /&gt;A Maria dá o mote&lt;br /&gt;E a Joana vai a trote&lt;br /&gt;Ninguém bate como elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noitinha enroladas&lt;br /&gt;Num bonito lençol branco&lt;br /&gt;Como duas ninfas endiabradas&lt;br /&gt;Quem me dera tê-las plantadas&lt;br /&gt;Aos milhões pelo meu campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a Maria se cansa&lt;br /&gt;Protesta "Tenho fome!"&lt;br /&gt;E enquanto encho a pança,&lt;br /&gt;A Joana me diz "Anda&lt;br /&gt;Que a noite é de quem sonha mas não dorme."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá, minha gente!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém bate como elas!&lt;br /&gt;Ninguém bate como elas!&lt;br /&gt;A Maria dá o mote&lt;br /&gt;E a Joana vai a trote&lt;br /&gt;Ninguém bate como elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém bate como elas!&lt;br /&gt;Ninguém bate como elas!....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alhandraaaaa, quero ouvir essas palmaaaaaas!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entra coro grego, de túnicas e máscaras, entoando "Funafunanga Funafunanga Funafunanga Funafunangafunafunangafunafunangafunafunanga..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o coro canta, o público canta, ao rubro, termino declamando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fumei por todo o mundo&lt;br /&gt;Fumei por todos vós&lt;br /&gt;Neste lugar sem voz&lt;br /&gt;Fumei por todo o mundo&lt;br /&gt;Fumei por todos vós&lt;br /&gt;Paz mundial. Vida eterna.&lt;br /&gt;Orgia na conferência do G8.&lt;br /&gt;Sémen entornado sobre foie gras&lt;br /&gt;Transmitido em directo e com direito a closeups&lt;br /&gt;O juizo final é sexual&lt;br /&gt;Preto de dois metros arrebentando (assim mesmo, "arrebentando" com A no início)&lt;br /&gt;Infantas castelhanas, sem largarem os leques (as infantas, não o preto)&lt;br /&gt;E nós morrendo de febre e sífilis,&lt;br /&gt;Mas cagando-nos a rir!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113363341709495953?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113363341709495953/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113363341709495953&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113363341709495953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113363341709495953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/12/letra-para-msica-pimba.html' title='Letra para música pimba'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113323036112793213</id><published>2005-11-29T02:10:00.000Z</published><updated>2005-11-29T02:12:41.236Z</updated><title type='text'>que miséria</title><content type='html'>João era um rapaz normal, tal como todos os rapazes da sua idade. Tinha os mesmos gostos que os outros, practicava desporto, ouvia a mesma música, tal como todos os rapazes da sua idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tinha uma particularidade... Exalava um cheiro muito forte a peixe. Pois é. O João não era propriamente a companhia ideal para um encontro romântico, ou mesmo para um convívio com os amigos. De facto, era posto de parte por todos eles. Tudo devido ao seu cheiro horrível a pescado.&lt;br /&gt;Enquanto foi pequeno, esse "pormenor" não o incomodava muito, já que não se apercebia do seu cheiro... para ele era absolutamente normal. O mesmo já não se pode dizer dos seus pais, que ele nunca chegou a conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João vivia num orfanato, com muitos outros rapazes (era uma daquelas casas monoassexuadas) embora tivesse direito ao seu próprio quarto individual. Vá-se lá saber porquê? Os pais dele eram capazes de saber...&lt;br /&gt;Quando começou a ser posto de parte, João tentou tudo e mais alguma coisa para se livrar daquele cheiro que tanto incomodava as outras pessoas. Usava perfumes abundantemente, lavava-se várias vezes por dia. Até chegou a ficar de molho durante três dias! Mas nada. Contudo, pode dizer-se que o João era um rapaz normal, tal como todos os rapazes da sua idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, farto de tanta exclusão social, João decidiu ir viver para junto daqueles que nunca o iriam por de parte. Atirou-se ao mar e por lá ficou. Passados muitos anos, o seu corpo foi encontrado num fundo duma enseada... inteiro e intacto. Vá-se lá saber porquê... Parece que as bactérias também devem ter olfato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memórias de uma festa Okupa (&lt;em&gt;squat party&lt;/em&gt;, no slang original)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113323036112793213?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113323036112793213/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113323036112793213&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113323036112793213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113323036112793213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/que-misria.html' title='que miséria'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00366703074383478258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113321476234813916</id><published>2005-11-28T21:49:00.000Z</published><updated>2005-11-28T21:55:31.116Z</updated><title type='text'>Reflexões de Wilson</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/50/black_ch.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/320/black_ch.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Vossas Altezas Reais, Digníssimos Membros da Academia Sueca, Excelentíssimos Convidados, minhas senhoras e meus senhores,&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda me lembro de uma bela manhã, era um jovem puto preto de 9 anos, como tantos outros criados no ghetto, andava eu pelas ruas de Paço de Arcos, pensando na inexorável aridez da matriz ultra-hedonista que pontificava no pensamento filosófico hodierno e em novos rumos que conduzissem ao ressurgimento da moral enquanto referencial metafísico nas sociedades contemporâneas, quando me apercebo que a teorização pura e simples não poderiam mudar o mundo, teria que incutir nas mentes humanas o desprendimento dos bens materiais que escravizam a sociedade moderna.&lt;br /&gt;Decidi então começar naquele momento a minha obra benemérita. Esgueirei-me por entre as grades de uma janela de um primeiro andar e entrei num quarto. Uma rapariga de vinte e tal anos dormia.&lt;br /&gt;“Tão linda!”, pensei. “Faria dela a minha Julieta, ou pelo menos dar-lhe-ia uma bela queca… Se ao menos já tivesse atingido a puberdade!”&lt;br /&gt;Incapaz de consumar fisicamente o meu amor, decidi então demonstrá-lo por actos, aliviando aquela simpática moça dos seus pertences mais valiosos. Que sorriso resplandecente de felicidade seria o seu quando acordasse e se visse subitamente livre do vil jugo do materialismo!&lt;br /&gt;Mas eis que ela acorda, e começa a gritar histericamente.&lt;br /&gt;Não sabia o que dizer. Decerto que, se me desse ao trabalho de lhe explicar a fundamentação filosófica dos meus actos, já teria os tímpanos perfurados, pois ela não parecia querer parar de berrar. Decidi condensar as minhas razões numa singela frase: “Cala-me essa boca, cabra, senão eu mato-te!”.&lt;br /&gt;Naturalmente que tinha pressuposto estar a falar com uma mulher culta, que saberia que a cabra é um animal de boa-aventurança na astrologia chinesa e que não dizia “eu mato-te” no seu sentido literal, mas antes como uma metáfora para a morte do seu antigo eu consumista e escravo de um quotidiano alienante, para abrir caminho à sua posterior ressurreição como ser livre num mundo novo.&lt;br /&gt;Ela assim não o entendeu. Fugiu pela casa, a sua mãe ameaçou-me com uma arma. Aterrorizado com quanta maldade cabia nos corações humanos, fugi. Senti-me como o homem que tenta tirar os companheiros da gruta, da alegoria de Platão. Fez queixa de mim à polícia, que felizmente teve o bom-senso de não me impor castigo rigorosamente nenhum. Afinal ainda havia gente boa neste mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este episódio não me desmotivou. Aliás, senhoras e senhores, neste momento em que tenho a honra de receber perante vós o prémio Nobel da Medicina de 2031 por ter inventado a cura para o cancro, queria dedicar esta descoberta a essa rapariga, e fazer sinceros votos para que jamais ela precise da minha descoberta. Porque quem ama a humanidade como eu amo, ama até a quem lhe quer mal.&lt;br /&gt;Muito obrigado! &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113321476234813916?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113321476234813916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113321476234813916&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113321476234813916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113321476234813916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/reflexes-de-wilson.html' title='Reflexões de Wilson'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113301480487739137</id><published>2005-11-26T14:18:00.000Z</published><updated>2005-11-26T14:20:04.896Z</updated><title type='text'>Cabras e Vacas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando alguém não gosta de uma mulher, chama-lhe vaca. Quando alguém não gosta de outra mulher, chama-lhe cabra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Venho dar-vos uma lição de português. Há que saber distinguir os conceitos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A vaca é a mulher sexualmente leviana. Não me venham com a história da emancipação e da igualdade. Isso são tretas que vos ensinam na Escolinha e que há quem diga que está na Constituição, mas como o JoMi é um tipo porreiro encontrou uma forma de todos os direitos terem de ser respeitados e poderem ser contornados (esta foi uma citação à la Cláudio Monteiro). Isto significa que não somos iguais coisa nenhuma! Uma gaja que tem na cama mais de 4 gajos diferentes por ano não deixará nunca de ser uma vaca. Eu sou uma pessoa liberal, digo que não tenho nada a ver com a vida sexual alheia, que as pessoas não são melhores nem piores por isso... A verdade é que esse é um grande índice de frustração pessoal, mas à parte disso, é tendência inevitável esse pensamento. Eu conheço algumas pessoas assim...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a cabra, segundo o dicionário da língua portuguesa, é uma mulher má (malévola, malévola, malévola), com mau génio. É uma tipa arrogante, com a mania que vale alguma coisa, que se satisfaz com a desgraça alheia e gosta de contribuir para a mesma. E essas, as que se identificam com o epíteto, não venham para cima de mim com a tanga do: cá se fazem, cá se pagam; olho por olho dente por dente; não gosto que me pisem os calos. Se fossem realmente boas pessoas fariam o bem, inscreviam-se nas Equipas de Nossa Senhora, fariam férias com o Movimento de Estudantes Católicos e fariam voluntariado com os pobres e oprimidos!!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma vez numa famoso jantar lá prós lados de Algés discutia-se alegremente o que pelas ruas se dizia de certa pessoa presente que não vos revelarei... Eis se não quando alguém, se levanta indignado, pelo facto da mencionada personagem ter sido entitulada de vaca, e diz: Ela não é vaca, é cabra!!! Ela nunca foi acusada de ser oferecida, mas de ser má... É isso, ela é uma cabra... Mas a história repete-se: eu só faço a quem mas faz, argumentava ela...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do blogguista com mania dos enigmas não deixarei a pergunta sobre quem é a personagem! Escusam de dizer quem é!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113301480487739137?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113301480487739137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113301480487739137&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113301480487739137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113301480487739137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/cabras-e-vacas.html' title='Cabras e Vacas'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113262325554988325</id><published>2005-11-22T01:24:00.000Z</published><updated>2005-11-22T01:38:47.923Z</updated><title type='text'>E se não nos tivessemos rido (So many nites)</title><content type='html'>Tudo estava praticamente às escuras. Pelas frestas dos estores escorriam feixes prateados de luar que iluminavam o quarto às tiras de zebra. Ela, sentada sobre a cama, seguia com os olhos cada movimento meu, pensando no que iria fazer a seguir. Apreciei por momentos essa sensação de poder.&lt;br /&gt;Liguei o leitor de cds, baixinho, e dele murmurou a voz nasalada do Manu Chao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"So many nites&lt;br /&gt;With your shadow in my bed&lt;br /&gt;So many nites&lt;br /&gt;Baby you whisper in my head..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá em baixo, as vozes dos outros ainda se ouviam. A festa continuava, a anos-luz de distância (ou, pelo menos, assim parecia). Ela ficara com sono e anunciara que se iria deitar. Tentara levantar-se, mas em vão: tropeçara num sofá e quase caíra ao chão.&lt;br /&gt;—Eu ajudo-te!, prontifiquei-me, com segundas intenções, admito-o (toda a história do mundo é, basicamente, a história das segundas intenções).&lt;br /&gt;Conduzi-a até ao quarto e, no caminho, fiquei com a sensação que ela não estaria tão bêbeda como parecera. À medida que caminhávamos, pareceu-me mais sóbria que nunca. Tão viva, tão desperta, tão consciente de si e do seu próprio lugar no mundo como eu nunca a vira. Teria feito de propósito para me atrair até ao quarto?&lt;br /&gt;—Então e agora, o que fazemos?, perguntou-me, enquanto eu apreciava o momento, de olhos fechados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"I can not sleep&lt;br /&gt;Haunted by your pretty body&lt;br /&gt;I can not sleep&lt;br /&gt;I want the world set on fire&lt;br /&gt;So many nites&lt;br /&gt;Can’t keep from goin down loose..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me ao lado dela e puxei-a para mim. Enterrei os dedos na raiz dos seus cabelos, onde a nuca encontra o pescoço, senti as suas madeixas deslizarem por entre os dedos.&lt;br /&gt;—Não sei se já percebeste que chegámos ao limiar daquilo que sempre fomos. Temos uma opção: ou tu voltamos para o lado deles, e tudo continua como dantes; ou ficas comigo, e nada será como dantes. Não prometo que seja melhor nem pior, mas nada será como dantes.&lt;br /&gt;Ela nunca havia pensado na questão naqueles termos. Em bom rigor, nem eu.&lt;br /&gt;—Que queres fazer comigo?, perguntou.&lt;br /&gt;—Despir-te, beijar cada centímetro do teu corpo e fazer amor contigo. Ou passar a noite a discutir porque é que a teoria de Maslow sobre a hierarquia das necessidades humanas é um perfeito absurdo. Ou então, apenas afagar os teus cabelos, mas muito, muuuuito devagar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar dela respirava sinceridade, à medida que as nossas almas se desabotoavam, se davam a conhecer em toda a sua extensão, sem agendas escondidas, todos os desejos, por mais inconfessáveis, estavam ali, claros como a água.&lt;br /&gt;—A vida é muito simples, nós é que somos umas bestas e complicamos tudo. Comida, abrigo, amor e amizade autênticas fazem um ser humano feliz. Porquê complicar as coisas com torradeiras, com micro-ondas ou com jogos de poder?&lt;br /&gt;—A comida, abrigo, amor e amizade autênticas SÃO jogos de poder., respondeu ela.&lt;br /&gt;- Talvez..., respondi, em surdina, pois os lábios dela impediram-me de emitir qualquer som.&lt;br /&gt;Nesse momento, entrou pela porta Daucus-Carota, tremendo vulto negro, tão grande que tinha que se baixar e contorcer para caber no quarto, como um balão de hélio entornado sobre o tecto. O barulho dos risos e dos copos e da música lá de fora regressou ao quarto.&lt;br /&gt;—Hoje é o dia em que todos temos que morrer a rir! Morrer a rir!!!! MORRER A RIR!!, gritava, na sua voz idiota e nasalada.&lt;br /&gt;Ela, enfeitiçada, irrompeu em gargalhada, atirando para trás os cabelos . Eu também, apesar de não perceber do que ria. O momento, frágil como um cristal, raro como uma jóia, desvaneceu-se para sempre no eterno turbilhão da história do universo. Era um prego espetado na manta da causa-efeito, um intervalo a jeito de parêntesis. O prego fora arrancado, e o mundo retomou o seu curso normal. Voltámos para junto dos outros, vencidos, para onde ninguém dera pela nossa falta.&lt;br /&gt;“Daucus-Carota filho da puta!”, pensei. "Porque raio fomos nós rir??"&lt;br /&gt;O leitor de cds ficou ligado, solitário, dando música ao luar de zebra.&lt;br /&gt;“Hello Nadina do you do do do do do&lt;br /&gt;I feel the moody like to picky picky you&lt;br /&gt;I know you like it like a rub a dub stylee&lt;br /&gt;I know you like a marijuana smokey&lt;br /&gt;So many nites&lt;br /&gt;Sing along the Merry Blues.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113262325554988325?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113262325554988325/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113262325554988325&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113262325554988325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113262325554988325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/e-se-no-nos-tivessemos-rido-so-many.html' title='E se não nos tivessemos rido (So many nites)'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113246380403144112</id><published>2005-11-20T05:15:00.000Z</published><updated>2005-11-20T05:16:44.030Z</updated><title type='text'>Patêta</title><content type='html'>- Mãe.&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Mãe!&lt;br /&gt;- Hum!&lt;br /&gt;- Mãããe!&lt;br /&gt;- Raios!&lt;br /&gt;- Oh, Mãe, o que é um patêta?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113246380403144112?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113246380403144112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113246380403144112&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113246380403144112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113246380403144112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/patta_20.html' title='Patêta'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113246373788065382</id><published>2005-11-20T05:14:00.000Z</published><updated>2005-11-20T05:15:37.880Z</updated><title type='text'>Anjo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A figura humana estava de pé, em crescendo frente a mim, entrámos na mesma viagem espiritual... Ele era um Anjo...Só o percebi quando abdicando de uma forma material se escorreu para cima...um manto translúcido azulado começou por cobrir a criatura, até que transformou nela. O Anjo...&lt;br /&gt;... Encontrou-me debaixo da ponte coberta de pequenas lascas de borracha preta, qual brigadeiro humano... olhou-me nos olhos (era o que eu imaginava que um Anjo faria a falar com um mortal, como que para lhe dar um pouco de credibilidade), e, em voz grave, fazendo eco emergente de um longo corredor cerrar por um portão metálico escarlate, emitiu: "Arranja alguém que te dê valor. Há mulheres com "m" e Mulheres com "M". Tu sabes e eu sei que és uma pessoa invulgar (possivelmente pessoa com P, pensei eu...), e, se é irrelevante quem está ao lado de mulheres com "m", não é indiferente quem está ao lado de Mulheres com "M". Merecias que ele hoje estivesse aqui, orgulhoso..."&lt;br /&gt;O Anjo escorreu-se em definitivo, quando chegou à base da ponte, creio que vi uma mão esfumada a acenar-me e transformou-se numa mancha cada vez mais diluída passando por entre os furos entre os ferros...&lt;br /&gt;Nunca mais me encontrei com o Anjo, mas jamais me esquecerei dele.&lt;br /&gt;Ass.:AIKEMOKA&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113246373788065382?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113246373788065382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113246373788065382&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113246373788065382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113246373788065382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/anjo.html' title='Anjo'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113192968194636204</id><published>2005-11-14T00:25:00.000Z</published><updated>2005-11-14T01:06:53.726Z</updated><title type='text'>Escorre de baixo para cima - a resposta do enigma</title><content type='html'>O Homem encarou a Esfinge e respondeu: "Ora, os homens não escorrem. E, mesmo as coisas que escorrem - necessariamente líquidos -, nenhuma escorre para cima, todas obedecem às leis da gravidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Esfinge respondeu com uma nova pergunta: "Tu disseste «necessariamente líquidos»? Como podes ter tanta certeza? Sabes o que é escorrer? Verter em fio, gotejar, pingar, descair, deixar pender, enxambrar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas profundezas dos seus neurónios, uma mesa de comando continha &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/8-Circuit_Model_of_Consciousness"&gt;8 luzinhas, quatro acesas, quatro apagadas&lt;/a&gt;. "Circuito bio-existencial ON" "Circuito emocional ON", "Circuito da Destreza e Simbolismo ON", "Circuito sócio-sexual ON", "Circuito Neuro-somático OFF". Subitamente, a quinta luzinha começou a piscar - pela primeira vez na história daquele Homem -, o sinal de ON surgiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que o Homem pensou. Não da maneira convencional, como lhe ensinaram na escola, mas foi antes buscar as suas intuições mais loucas, olhou para o problema através dos seus olhos, voltou a analisá-lo como o faria um homem das cavernas, um egípcio do tempo de Akhenaton, um ervanário chinês do século XII, um golfinho, um urso pardo, um ser de outro planeta infinitamente mais avançado. Imaginou a questão como ela lhe surgiria aos olhos se fosse um recém-nascido abrindo pela primeira vez os olhos para o mundo e um velho que sabe que tem apenas alguns minutos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando venceu as barreiras do tempo e espaço, o Homem encontrou a solução.&lt;br /&gt;Disse ele então à Esfinge: "Imagina uma porta fechada. Do lado de fora, está escuro, mas para lá da porta existe luz. Sabes que existe uma luz porque vês um feixe luminoso rastejando pela fresta, rente ao chão. Imagina que para lá dessa porta, existe uma salinha pequena, um cubículo. Lá dentro, várias pessoas conversam. Ouves uma delas dizer: "Agora que já fechámos a porta, podemos voltar a fumar". Cliques de isqueiros.&lt;br /&gt;O pequeno cubículo enche-se de fumo. Vês agora esse fumo transbordar pela frincha da porta, o fumo prateado sob uma luz amarelenta de pergaminho. Observa o fumo a transbordar. Ele forma uma nuvem, junto ao chão, como que uma poça de fumo. Depois, ele trepa pela superfície da porta, lentamente escorrendo, escorrendo, escorrendo, rumo à atmosfera.&lt;br /&gt;A RESPOSTA PARA O TEU ENIGMA É O FUMO. SÓ ELE ESCORRE DE BAIXO PARA CIMA!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/50/Smoke.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/320/Smoke.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Esfinge soltou um grito, as suas formas derreteram até tornar-se uma massa disforme, e depois transformou-se em fumo, e escorreu em direcção às estrelas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113192968194636204?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113192968194636204/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113192968194636204&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113192968194636204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113192968194636204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/escorre-de-baixo-para-cima-resposta-do.html' title='Escorre de baixo para cima - a resposta do enigma'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113167660725141018</id><published>2005-11-11T02:18:00.000Z</published><updated>2005-11-11T03:15:41.256Z</updated><title type='text'>Escorre de baixo para cima</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/50/Sphinx.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/320/Sphinx.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Esfinge, por todos esquecida, abriu os olhos e ordenou "Escorre!"&lt;br /&gt;E o homem estranhou tal ordem. Era-lhe impossível escorrer. Fisicamente, logicamente impossível escorrer. Poderia imaginar um humano a voar, bastava juntar o conceito humano ao conceito de voo, imaginando um homem com umas asinhas, enfim, mas era-lhe impossível imaginar um homem a escorrer. O sujeito (implícito) não ligava com o verbo, tanto gramatical, como cosmicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Esfinge, desiludida com a pobre prestação do Homem, perguntou então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;QUAL É A ÚNICA COISA NA NATUREZA QUE CONSEGUIMOS APREENDER PELOS SENTIDOS QUE ESCORRE AO CONTRÁRIO, DE BAIXO PARA CIMA?"&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Homem não percebeu a pergunta.&lt;br /&gt;A Esfinge insistiu: "Para responderes a esta pergunta terás que ter todos os sentidos - o alfacto, a audição, o tacto, a visão, mesmo a tua intuição - todos eles em pele de galinha: receptivos, abertos ao mundo como ele se te apresenta. Não terás que fazer zazen, mas terás que ter a percepção de um bodisattwa tibetano, de uma criança que chega a um local proibido e há muito desejado, de um turista que chega a uma cidade estrangeira e exótica, de um bebé que vem ao mundo."&lt;br /&gt;O Homem pensou que a Esfinge enlouquecera.&lt;br /&gt;A Esfinge torceu o nariz e retomou.&lt;br /&gt;"Em Paris os luzeiros iluminam a noite, turbas de gente gritando nas ruas. Não é a tomada das novas Bastilhas, não é o Homem que fez a última revolução, que colocaria a "fraternidade", o elemento esquecido do tríptico, nos espíritos dos homens; são apenas uns quantos merdas que não têm nada para fazer, ou um episódio típico de luta de classes, como preferires chamar-lhe.&lt;br /&gt;Em Trelleborg, na Suécia, um homem sai nú da sauna e vê o nascer do sol. Acende o cigarro e goza as 6 horas de sol que lhe restam.&lt;br /&gt;Na Holanda, o costume.&lt;br /&gt;Na Amazónia, os índios Tapuamachu dançam em torno de uma fogueira. Não fazem ideia da existência da civilização como nós a conhecemos. Não fazem ideia que NÓS existimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, eu repito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"QUAL É A ÚNICA COISA NA NATUREZA QUE CONSEGUIMOS APREENDER PELOS SENTIDOS QUE ESCORRE AO CONTRÁRIO, DE BAIXO PARA CIMA?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113167660725141018?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113167660725141018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113167660725141018&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113167660725141018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113167660725141018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/escorre-de-baixo-para-cima.html' title='Escorre de baixo para cima'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113098417158953810</id><published>2005-11-03T01:23:00.000Z</published><updated>2005-11-03T02:23:14.156Z</updated><title type='text'>Como conheci Jim Morrison na Pensão A Estrela de Arroios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/50/jim_crop.jpg"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/320/jim_crop.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Morrison, hmm não, não temos cá ninguém hospedado com esse nome.&lt;br /&gt;Isso já eu sabia, apenas perguntara por perguntar.&lt;br /&gt;- E um Senhor Mojo? Mojo Risin?&lt;br /&gt;O indiano do balcão olhava-me com um ar desconfiado. Apetecia-lhe dizer-me que não sabia ao certo qual a minha ideia, mas que ficasse assente que aquilo era uma casa séria - dir-me-ia isso, não fosse aquela uma pensão de putas nas algibeiras da Avenida Almirante Reis. Engoliu em seco. Lembrou-se dos seus sonhos de obter uma cadeia de hoteis de luxo. Fora para isso que viera do Bangladesh e estava ali enfiado, com um gajo de aspecto bêbedo e  ganzado a perguntar por um nome que mais parecia inventado.&lt;br /&gt;- Sim, está cá um senhor com esse nome. Nacionalidade do Reino do Lagarto. Será possível?&lt;br /&gt;- Não só é possível como eu não esperava outra coisa dele!, respondi, sorridente.&lt;br /&gt;Passara a noite a ouvir um tipo alucinado assegurando-me que Jim Morrison não morrera de ataque de coração ou overdose em Paris, como havia sido propagandeado. Limitara-se a encenar a sua própria morte (isso explicava o facto de nunca ninguém ter ouvido falar do médico que assinou o relatório da suposta autópsia), para fugir ao próprio estrelato. Não havia nada pior para um iconoclasta do que transformar-se num ícone, e Jim decidiu morrer para o mundo, para sair desse filme. "Carry me caravan take me away, take me to Portugal, take me to Spain" - dizia ele, sendo óbvio que a luminosa Espanha seria o último sítio onde Jim procuraria refúgio, e Lisboa parece toda ela feita de propósito para alojar o trono do Lizard King. Perdi-me no caminho para casa e vim dar àquele beco de má fama. Resolvi arriscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi as escadas e descobri facilmente a porta do Jim. Era a única com pilhas de garrafas vazias de Jack Daniels do lado de fora. Bati à porta.&lt;br /&gt;- Quem é?, perguntou lá de dentro aquela voz profunda e ligeiramente rouca nas extremidades, que parece invectivar directamente as profundezas da alma.&lt;br /&gt;- Quem é? Como queres que eu saiba quem sou, eu, um simples mortal "like a dog without a bone, an actor without a role"?&lt;br /&gt;Pareceu-me ouvi-lo rosnar "Detesto quando eles me fazem isto!"&lt;br /&gt;A porta abriu-se. A mesma cabeleira farta, mas grisalha. Foi aí que me lembrei que Jim Morrison tem sessenta e poucos anos.&lt;br /&gt;A sua testa estava enrugada, os olhos mais cavados no rosto, mas de resto igual: não enganaria ninguém.&lt;br /&gt;- Jim, pá, estás com bom aspecto!, exclamei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pois é... Sabes como é, um tipo deixa-se de álcool e drogas e fica logo mais em forma.&lt;br /&gt;- Então e as garrafas à tua porta?, perguntei.&lt;br /&gt;- Não são minhas, são do casal que está aí no quarto ao lado, os malandros, uns doidivanas! Mas olha, vais entrar ou não? É que com a porta aberta entra corrente de ar e é mau para os meus bicos de papagaio.&lt;br /&gt;Entrei.&lt;br /&gt;- Mas o que é que andas a fazer, Jim? Aposto que deves andar a curtir à grande, sem toda a gente a meter o nariz na tua vida.&lt;br /&gt;- Sim, vivo uma existência cheia de emoção. Por exemplo, gosto muito de ver aquele programa do gordo, sabes, o que dá de manhã... A Praça da Alegria! Depois vejo a novela, saio para dar comida aos pombos, vou tomar a minha bica e o chiripiti ao café lá em baixo, jogo uma suecada, e volto para dentro antes que fique frio.&lt;br /&gt;Estava escandalizado.&lt;br /&gt;- Então e gajas?, arrisquei.&lt;br /&gt;- Às segundas, quartas e sextas vem cá uma senhora do centro de dia trazer-me sopa quente, que sempre que se baixa, vê-se um bocado da perna a aparecer na saia, e nunca vi marcas de celulite tão sexy! Pena é que ela seja, enfim, um bocado para o forte! Mas olha, é o que se arranja.&lt;br /&gt;- Então e escrita? Tens escrito poemas??&lt;br /&gt;- Sim, tenho andado num período de criatividade furiosa. Recentemente mandei umas quadras da minha autoria para um programa da tê vê e se ganhar, essas quadras serão usadas para uma canção do rancho folclórico de Oliveira de Azemeis! Não é excitante??&lt;br /&gt;Sentámo-nos no sofá a ver as televendas. Jim adormeceu durante o anúncio do descascador de bananas com aplicador para depilar sovacos. Saí dali o mais depressa que pude "Not to touch the earth, not to see the sun nothing left to do but to run run run".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizias que não querias ser um ídolo nem um mito. Isto era o mínimo que podia fazer para te ajudar. É a minha homenagem. Um abraço, pá! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113098417158953810?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113098417158953810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113098417158953810&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113098417158953810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113098417158953810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/como-conheci-jim-morrison-na-penso.html' title='Como conheci Jim Morrison na Pensão A Estrela de Arroios'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113087625407911013</id><published>2005-11-01T20:08:00.000Z</published><updated>2005-11-01T20:17:34.080Z</updated><title type='text'>Querido Senhor EMEL</title><content type='html'>Querido Senhor EMEL,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;queria pedir-te que não me deixasses mais cartas no vidro do carro, muito menos assinados pela Sónia. Eu sei que és um grande admirador meu, mas mandar cartas assinadas por mulheres e deixar no remetente EMEL   a maiúsculas e negrito não é a melhor solução para o anonimato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Sónia é uma miúda fixe mas não é preciso pô-la nessa situação, ela não tem a culpa de seres um cobarde!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E já agora mandares-me pagar 2€ de casa vez que lá vais também não é a melhor cena de engate que já vi. Eu já disse que não pago, não é por o dizeres 20 vezes que pagarei. Ainda pelo cima tens uma grande lata: eu que pague porque levei demasiado tempo, excedi o tempo pelo qual paguei, dizes tu! Primeiro eu não paguei coisa nenhuma, não sou como tu que tenho que pagar para ter sexo. O meu namorado quase se chateou com isso, não fosse o ridículo de dizeres que foi pelo tempo excedido! Desde logo isso faria de ti uma merda sexual assumida publicamente e depois isso não faz parte dos contratos de prestação de serviços seuais ad hoc nem com avenças!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isto tudo para te dizer que ou páras de me deixar bilhetinhos no carro ou faço-te a folha!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ass.: A gaja do volvo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113087625407911013?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113087625407911013/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113087625407911013&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113087625407911013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113087625407911013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/querido-senhor-emel.html' title='Querido Senhor EMEL'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113087549623429499</id><published>2005-11-01T19:58:00.000Z</published><updated>2005-11-01T20:04:56.250Z</updated><title type='text'>verónica decide morrer</title><content type='html'>A minha questão é esta: se Verónica decide morrer eu posso decidir matá-la?&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguém escreve um livro sobre uma tipa que decide morrer (eu não li o livro mas até aposto que a gaja não morre) então eu decido matá-la escandalosamente! Vou a casa dela enfio-lhe um balázio (será com z ou com s) nos miolos e está feito! Porque é que o livro não é simplesmente: A Verónica era infeliz, foi violada quando era pequenina, depois assistiu à morte da mãe pelo pai e depois ficou muito triste. A seguir cortou os pulsos e morreu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu decido agora e aqui matar a Verónica! Alguém está comigo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113087549623429499?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113087549623429499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113087549623429499&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113087549623429499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113087549623429499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/11/vernica-decide-morrer.html' title='verónica decide morrer'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113060907307112945</id><published>2005-10-29T19:01:00.000+01:00</published><updated>2005-10-29T19:09:45.233+01:00</updated><title type='text'>O Homem Mais Totó do Mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sete horas. O Homem Mais Totó do Mundo acordou, com os safanões da mãe (ele vive com a mãe, apesar de ter já quarenta anos).&lt;br /&gt;À porta de casa, o seu carro, impecavelmente estacionado no lugar respectivo, encontrava-se bloqueado por um outro, escandalosamente parado em segunda fila. Já estava habituado. Foi até ao café da frente e perguntou à multidão que vegetava ao balcão: —Quem é o dono do renault clio azul que está ali fora?&lt;br /&gt;Ninguém se acusava. Em bom rigor, ninguém fazia mesmo caso das suas palavras. Alguns continham até uma risada. Estavam a gozar com a sua cara.&lt;br /&gt;O dono do café teve pena dele e apontou-lhe o “culpado”.&lt;br /&gt;—Bom dia, meu amigo. O seu carro está a bloquear o meu e estou com alguma pressa. Não se importa de ir tirá-lo da frente?&lt;br /&gt;—Com certeza que vou, mas espere só um momento enquanto não vem a minha torrada e enquanto o meu galão arrefece um pouco, senão ainda queimo a lingua.&lt;br /&gt;O Homem Mais Totó do Mundo olhou para ele e constatou que se tratava de um homem bastante jovem, logo, precisava de alimentar-se e o pequeno-almoço é uma refeição essencial.&lt;br /&gt;Então esperou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/50/Wildt%20-%20L"&gt;&lt;img class="phostImg" src="http://photos1.blogger.com/hello/247/1280/320/Wildt%20-%20L%27idiota%20%28Milano%2C%201903%29.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, parou o seu carro à porta do escritório. Ao sair pela porta, uma cigana romena, que trazia nos braços uma criançola muito encardida (que pareceu ao Homem Mais Totó do Mundo um pouco grande demais para ainda andar de colo, mas poderia, enfim, sofrer de cansaço crónico), pediu-lhe esmola. O Homem Mais Totó do Mundo deu-lhe um euro, a única moeda que tinha na carteira. A cigana olhou para a moeda e esboçou um esgar de indignação.&lt;br /&gt;—Como acha você que eu vou alimentar o meu filho com um reles euro? E, como ele, tenho mais nove! Não tem mais dinheiro?? Então, por favor, dê-me pelo menos um euro por cada filho, acrescido do valor correspondente ao IVA à taxa legal aplicável. Se não tiver, pode ir ali à máquina levantar dinheiro, que eu espero.&lt;br /&gt;O Homem Mais Totó do Mundo levantou da caixa multibanco e deu à cigana mais de dez euros, sentindo-se bem consigo próprio por ser tão caridoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de meia hora no escritório, o seu patrão veio ter com ele à acanhada dispensa onde o Homem Mais Totó do Mundo tinha a sua secretária e computador, no meio de baldes e esfregonas (outrora tivera um gabinete seu, mas cedera-o a um colega que se queixara que o seu próprio gabinete lhe transmitia energias negativas, pois as suas dimensões não obedeciam aos ditames da milenar arte do feng shui ou do ikebana ou do chop soy, ou algo do género).&lt;br /&gt;Disse-lhe o patrão: —Homem Mais Totó do Mundo, de certeza que reparaste que a Anabela, sendo manifestamente menos competente que tu, foi na semana passada promovida e tu não...&lt;br /&gt;Não, o Homem Mais Totó do Mundo não havia reparado, ou melhor: reparara, mas nada dissera, até porque não era de intrigas.&lt;br /&gt;—Não sou obrigado a dar-te satisfações e se o faço é porque te respeito e estimo. Promovi a Anabela e a ti não porque a Anabela faz uns broches fenomenais. Eh, mas não desanimes, campeão! A tua hora dá-de chegar!&lt;br /&gt;O patrão piscou-lhe o olho, apontando amigavelmente com o dedo indicador para ele, como quem aponta uma pistola. O Homem Mais Totó do Mundo repetiu o gesto, maquinalmente e com um sorriso amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, o Homem Mais Totó do Mundo contou à namorada o dia que havia tido, enquanto jantavam à luz das velas.&lt;br /&gt;Ela torceu o nariz e disse-lhe: .—Homem Mais Totó do Mundo, por vezes gostava que não fosses tão totó! Já viste bem que ninguém te respeita?&lt;br /&gt;Aí o Homem Mais Totó do Mundo saltou da cadeira.&lt;br /&gt;—Mulher, eu não admito que me fales dessa maneira! Julgas que deixo que me pises a cara, que me insultes dessa forma? Adeus!&lt;br /&gt;O Homem Mais Totó do Mundo deixou a namorada, satisfeito por ter sido homem e ter tomado uma posição de força, demonstrando que era uma pessoa com auto-estima e que impunha o respeito dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não conhecia o Homem Mais Totó do Mundo. Já ouvira falar, mas não sabia quem era. Até ao dia em que o vi e soube instintivamente que era ele. Vi-o passar calmamente pelo meio de um grupo de miúdos, voltando a emergir do meio da multidão com o mesmo sorriso sereno. Vi-o dirigindo-se na minha direcção, passou por mim, vi-o vir de frente, passou por mim, vi-o de costas. Nelas os miúdos haviam colado um papel dizendo “Otário”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113060907307112945?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113060907307112945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113060907307112945&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113060907307112945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113060907307112945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/10/o-homem-mais-tot-do-mundo.html' title='O Homem Mais Totó do Mundo'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113040591233540485</id><published>2005-10-27T10:38:00.000+01:00</published><updated>2005-10-27T10:38:32.343+01:00</updated><title type='text'>Getting High</title><content type='html'>Uff! Que dia. Hoje encontrei o Tiago. Já há algum tempo que não o via, embora falasse com ele de vez em quando. É claro que quando se está com o Tiago não se podem fazer coisas muito normais. Desta vez ele decidiu levar-me a escalar. Ok, disse-lhe eu, por mim na boa. É uma sensação espectacular, estar lá em cima. Inspiro e de repente o mundo inteiro entra-me pelos pulmões dentro e sinto-me bem, relaxado. É um bocado estranho quando penso nisso, afinal de contas quem é que fica relaxado quando está agarrado a uma parede a 20 metros do chão (são 5 andares!!)? Mas com o Tiago isto seria demasiado simples. Não, tem que haver mais qualquer coisa. Propõe-me perder o medo pelas quedas, sim porque para quem escala as quedas são bastante frequentes. E que melhor maneira de perder esse medo do que saltar. É bastante simples: estou lá em cima e o Tiago cá em baixo, (ele tem os pés bem assentes no chão...), entretanto dá folga à corda e eu atiro-me. É suposto cair, cair, cair e de repente a corda dar um esticão que me atira de encontro à parede (é esta a parte que supostamente me poderia causar medo). Se por acaso não sentir o esticão algo correu mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, hoje realmente senti-me vivo, muito vivo. Estou muitos metros acima do chão com uma corda presa à cintura, meio bamba não oferecendo qualquer sensação de segurança, e depois é simples, tenho que largar a parede e deixar-me cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois esse é que é o grande problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma coisa chamada instinto que dispara e começa-nos a dizer que somos completamente malucos, para não fazermos nada daquilo e deixarmo-nos estar quietinhos sem cometer nenhuma loucura. As pernas começam-me a tremer, os braços também. Acho que se tremer mais um bocado acabo por cair mesmo. É incrível, estar numa situação do mais contra natura que me lembro, a adrenalina que supostamente nos faz ficar mais rápidos e com menor tempo de reacção faz-me ficar com medo, muito medo. Não quero saltar.&lt;br /&gt;Não salto, digo para o Tiago.&lt;br /&gt;Salta, diz-me ele.&lt;br /&gt;Simples, não é? Há uma fracção de segundo em que quero mesmo saltar e penso que vou mesmo saltar mas não, volto-me a agarrar com quantas forças tenho.&lt;br /&gt;E de repente senti-me vivo, aquele momento em que tomo a decisão de saltar e me lanço para trás, aquele momento sem retorno, faz-me saber que estou vivo, o meu espírito está livre e tem vontade própria para contrariar aquilo que o meu corpo diz para fazer, para me deixar estar quietinho. Depois há a queda que parece interminável. É delicioso o breve espaço de tempo em que não sinto qualquer peso e caio, caio e estico!! Pois, realmente a parte de bater contra a parede dói, dói muito. Fico pendurado a girar de um lado para o outro, enquanto o Tiago, lá de baixo, me felicita. Tremo por todos os lados, olho para a minha perna e parece que tem vida própria, parece que está epiléptica. Olho para a outra mas está mais calma, parada. Por dentro tremo, o meu espírito treme mas sente-se vivo como nunca. De repente sinto-me eufórico como se fosse capaz de conquistar o mundo.&lt;br /&gt;O Tiago pergunta-me que tal? Eu respondo-lhe que quero saltar outra vez. Ao que parece, a sensação de estar vivo é altamente viciante. O Tiago já sabia, eu percebi agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Well, I think it’s time to get high again. This time, no climbing.... just the “normal” way.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113040591233540485?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113040591233540485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113040591233540485&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113040591233540485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113040591233540485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/10/getting-high.html' title='Getting High'/><author><name>Nuno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00366703074383478258</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18182010.post-113010866843029226</id><published>2005-10-24T00:04:00.000+01:00</published><updated>2005-10-24T14:23:48.656+01:00</updated><title type='text'>Não vos cheira a fumo?</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Estamos num quarto totalmente às escuras. Ouvimos quatro pessoas a respirar, mas não as vemos. Clic! A chama de um isqueiro reluz subitamente na penumbra. A ponta de um cigarro enrolado acende-se, largando uma chuva de fagulhas cintilantes ("morangos", "quicos"). Tal como a explosão de uma supernova, mas numa escala infinitamente mais pequena. Alguém puxa pelo filtro, avivando a ponta incandescente. Um rosto avermelhado emerge da penumbra. Passa ao companheiro do lado, que leva o cigarro à boca e assim revela as suas feições, e assim sucessivamente, até todos saberem quem são os companheiros da penumbra, até todos saberem com quem podem contar.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Senhoras e senhores, entrem depressa e fechem a porta para não fazer corrente de ar. Já cá estão todos? Aproximem-se. Mais um pouco. Sejam benvindos a esta nossa salinha dos fundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia deste blogue nasceu há uns tempos. Vejo uma sombra fechando a porta do carro. Acaba de chegar a casa vindo de uma noite de copos. Abre a porta, escuro como breu. Dá um pontapé num balde de alumínio cheio de objectos de cristal e no gato (tudo coisas que fazem barulho, justamente naqueles momentos em que não se quer fazer barulho). Ele não tem sono. Os amigos dele também não. Por essa hora, cada um deles chega a casa, o cenário repete-se. Mas quem são eles?&lt;br /&gt;- Uma mulher frágil mas de olhar penetrante, nos seus vinte e poucos anos, vestida de vermelho, para muitos uma cabra arrogante, para uns poucos uma musa.&lt;br /&gt;- Um nómada sem destino que largou o conforto do sofá em busca da lendária vertigem dos eternos viajantes. Ontem, Londres. Hoje, Barcelona. Amanhã, logo se vê.&lt;br /&gt;- Um fotógrafo de instantes desfocados (porque o instante não espera pela mudança da lente), empresário em nome individual no ramo do tomilho, de cujo universo é fiel guardião.&lt;br /&gt;- O único ser humano louco deste mundo - ou o único ser humano são (ninguém sabe ao certo), eterno turista no seu próprio meio, propenso a heterónimos e a vidas duplas e paralelas e a teorias cósmicas que metam pinguins e gravuras japonesas pelo meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que estamos aqui todos, no escuro, vejo claramente as almas de cada um, dissolvendo-se em fumo prateado que ascende ao tecto. Parece-me que vai sair daqui qualquer coisa boa. Alucinemos em conjunto, escorramos pelo soalho para que se possa remexer e saber o que pensamos quando estamos sentados no metro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vocês, façam lá a vossa e rodem-na aqui mesmo. Benvindos à sala de fumo. Tudo é permitido desde que mantenham a porta fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta-me dizer que as saídas de emergência são três e estão localizadas ao vosso lado direito. Uma é o quadradinho com a cruzinha do canto superior direito. Outras são os linques para outros blogues. A outra é a imaginalucinação de quem nos lê, que não deve julgar-se prisioneira dos devaneios literários alheios, por quem sois, partilhai os vossos!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18182010-113010866843029226?l=fecharaporta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fecharaporta.blogspot.com/feeds/113010866843029226/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18182010&amp;postID=113010866843029226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113010866843029226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18182010/posts/default/113010866843029226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fecharaporta.blogspot.com/2005/10/no-vos-cheira-fumo.html' title='Não vos cheira a fumo?'/><author><name>Funafunanga</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07833581920035891272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
